CASO MASTER: DEPOIMENTO DE JAQUES WAGNER É DESMARCADO NA PF
O senador do PT-BA, líder do governo no Senado até recentemente, não prestará depoimento nesta sexta-feira (7) no âmbito da Operação Compliance Zero. A oitiva foi cancelada na mesma semana em que o depoimento do empresário Augusto Lima, elo com o Banco Master, também foi adiado.
O depoimento que o senador Jaques Wagner (PT-BA) prestaria nesta sexta-feira (7 de agosto) na Polícia Federal foi desmarcado. Ele seria ouvido nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura o caso do Banco Master. A informação foi confirmada por investigadores e publicada por veículos como o G1. Trata-se da segunda oitiva cancelada nesta semana no inquérito que examina as relações entre o parlamentar e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
SENADOR FOI ALVO DA 9ª FASE DA OPERAÇÃO EM JUNHO
Em 18 de junho, Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador em Brasília e na Bahia. Na ocasião, foram apreendidos cerca de 55 mil dólares e 33 mil euros em espécie, além de relógios de valor. A PF investiga se o senador atuou em favor de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, entre elas a ampliação do crédito consignado e a chamada “Emenda Master”.
SUSPEITAS SURGIRAM DE MENSAGENS E LIGAÇÕES COM AUGUSTO LIMA
As suspeitas envolvendo Wagner têm origem na análise de mensagens e registros extraídos do celular de Augusto Lima, empresário e ex-sócio de Daniel Vorcaro. A PF aponta que o senador e Lima trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando cerca de cinco horas e meia de conversas. Os investigadores sustentam que houve “acompanhamento direto” de pautas legislativas de interesse do banco.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o parlamentar possa ter recebido vantagens indevidas. Entre os benefícios sob apuração estão um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e regalias e repasses que somariam pelo menos R$ 3 milhões, em alguns documentos estimados em R$ 3,5 milhões, via estruturas ligadas a familiares. A PF afirma que as tratativas sobre o imóvel continuaram mesmo após a prisão de Vorcaro.
DEFESA NEGA IRREGULARIDADES E APARTAMENTO NO PATRIMÔNIO
Em notas oficiais e declarações públicas, Jaques Wagner nega qualquer atuação em favor do Banco Master ou o recebimento de vantagens. Sua assessoria afirma que o senador não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em processo relacionado aos fatos. Sobre o apartamento, a defesa declara que o imóvel “jamais integrou o patrimônio do parlamentar”. Os valores em espécie apreendidos, segundo o senador, seriam frutos de diárias legais do Senado, declaradas e não utilizadas em missões internacionais. Wagner também afirmou ter recebido solidariedade do presidente Lula após a operação.
DEPOIMENTO DE AUGUSTO LIMA TAMBÉM FOI ADIADO
Na última segunda-feira (3 de agosto), o depoimento de Augusto Lima foi adiado pela terceira vez a pedido da defesa. Os advogados alegaram que ainda não haviam tido acesso integral aos autos da investigação nem à totalidade das provas. Lima é apontado pela PF como o principal elo entre o senador baiano e o esquema do Banco Master. Ele já havia sido preso preventivamente em fases anteriores da mesma operação.
INVESTIGAÇÃO AVANÇA COM QUEBRA DE SIGILO
No final de julho, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de partes da investigação contra Wagner, permitindo a divulgação de detalhes sobre ligações, tratativas de imóvel e outros benefícios apontados pela PF. O caso Master continua a produzir desdobramentos políticos e judiciais, com impacto direto sobre figuras próximas ao governo Lula.

