Três negócios que não saíram do papel podem produzir um estrago político bem real. A Polícia Federal investiga tentativas de viabilizar, no Ministério da Saúde e por meio da estatal goiana Iquego, contratos de medicamentos à base de cannabis e testes contra dengue. Segundo a apuração divulgada pela imprensa, Roberta Luchsinger teria apresentado Fábio Luís Lula da Silva como interessado nos projetos e mencionado comissão de 20%. As propostas não passaram pelas análises técnicas, e investigação não significa culpa: Lulinha e os demais citados negam irregularidades, enquanto a Iquego afirma que apuração interna não encontrou desvio.

O impacto já chegou à campanha. Especialistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que os vazamentos preocupam o entorno de Lula, e o presidente deixou uma entrevista no Quartel-General do Exército sem responder a perguntas sobre o filho e sobre Marco Aurélio Ribeiro, o “Marcola”, apontado pela PF como operador financeiro. Até agora não há elemento público que demonstre participação direta de Lula. Mas, a poucas semanas da eleição, cada silêncio alimenta a pergunta que o Planalto mais teme: até onde chegava a rede de acesso ao governo?