Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro costumava descrever a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como “incontrolável” em conversas com aliados e dirigentes do PL. Ele defendia que ela não fosse candidata à sucessão do presidente Lula, em meio ao agravamento das tensões familiares e políticas dentro do bolsonarismo.

CRISE FAMILIAR E POLÍTICA SE APROFUNDAM

A informação surge em um momento delicado, após Michelle publicar vídeos nas redes sociais nos quais acusa o senador Flávio Bolsonaro de tê-la humilhado e maltratado em ligação telefônica, em episódio relacionado a divergências sobre alianças no Ceará. Michelle afirmou ter sido “apunhalada” e tratada como alguém que “chegou ontem” na política.

A reportagem destaca que Bolsonaro citava como exemplo o episódio das eleições de 2022, quando Michelle contrariou sua orientação ao apoiar Damares Alves para o Senado, em vez de Flávia Arruda. Para evitar conflito público, Bolsonaro optou por não participar da campanha de Flávia. Damares foi eleita e mantém proximidade com Michelle.

TENTATIVAS DE MEDIAÇÃO E AUSÊNCIA DE ACORDO

Atualmente, Damares Alves e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, atuam para reduzir a tensão entre Michelle e Flávio. Elas teriam convencido Michelle a permanecer filiada ao PL após ela cogitar deixar o comando do PL Mulher. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, também tenta conter a crise. Em reunião reservada na terça-feira (30), não houve acordo. Michelle decidiu não participar de evento organizado por Flávio com eleitorado feminino e deve manter as críticas ao enteado.

A ex-primeira-dama ainda sinalizou que possui mais informações sobre Flávio, afirmando ter revelado “quase tudo”.

CONTEXTO E REPERCUSSÕES NO CAMPO CONSERVADOR

O episódio expõe rachas internos no bolsonarismo, especialmente entre o núcleo familiar e as alas mais radicais. Para a direita e os bolsonaristas raiz, essas divisões são preocupantes, pois enfraquecem a unidade necessária para enfrentar a esquerda em 2026. Michelle tem se posicionado como voz mais fiel ao legado conservador, enquanto Flávio é visto por parte do movimento como opção mais pragmática.

O caso também envolveu o ex-governador Anthony Garotinho e menções a uma festa promovida pelo banqueiro Daniel Vorcaro, gerando especulações sobre financiamentos e narrativas políticas.

DIVISÕES INTERNAS E O LEGADO BOLSONARISTA

A direita observa com preocupação qualquer movimento que fragilize o nome Bolsonaro. A ex-primeira-dama ganhou projeção como liderança feminina conservadora, especialmente junto ao público evangélico, mas os atritos com os filhos do ex-presidente revelam disputas por espaço e influência no movimento.