BOLÍVIA ATINGE 36 DIAS DE PROTESTOS COM BLOQUEIOS DE RODOVIAS E GOVERNO RECEBE RESPALDO DOS EUA CONTRA O NARCOTRÁFICO
Secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, manifesta apoio oficial ao presidente Rodrigo Paz; movimentos sociais denunciam prisões de líderes e acusam gestão de "sequestros".
A severa crise política e social na Bolívia completou, nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026, o seu 36º dia consecutivo de intensos protestos populares e paralisações. O cenário de profunda instabilidade interna escalou de forma significativa com o registro de mais de 80 bloqueios ativos nas principais rodovias do país, além da prisão de diversas lideranças proeminentes das manifestações pelas forças de segurança. Esse ambiente de conflagração e enfraquecimento institucional acabou atraindo os holofotes do xadrez geopolítico internacional, resultando no respaldo político formal e explícito do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ao governo do presidente boliviano Rodrigo Paz, que chefia uma gestão de centro-direita pelo Partido Democrata Cristão.
A ASSOCIAÇÃO DOS PROTESTOS AO CRIME ORGANIZADO TRANSNACIONAL
Em um alinhamento discursivo estratégico, tanto o Palácio Quemado quanto a Casa Branca passaram a associar diretamente a onda de manifestações e o fechamento das estradas às engrenagens do narcotráfico e do crime organizado que operam na região andina. O governo de Rodrigo Paz, que enfrenta forte resistência popular desde a implementação de medidas de austeridade fiscal, adotou uma postura de tolerância zero contra os insurgentes. As autoridades do Ministério Público e do Judiciário boliviano indiciaram formalmente as lideranças capturadas sob as pesadas acusações de "terrorismo" e "instigação pública para delinquir", justificando o uso da força policial para tentar restabelecer a ordem e a livre circulação de mercadorias.
MOVIMENTOS SOCIAIS DENUNCIAM REPRESSÃO E EXIGEM LIBERTAÇÃO
Por outro lado, a forte reação do aparato estatal inflamou ainda mais os sindicatos camponeses, organizações indígenas e movimentos sociais que lideram a resistência nas ruas. Representantes dessas entidades classificaram as detenções efetuadas pelas forças policiais como verdadeiros "sequestros" de caráter puramente político e arbitrário. Os manifestantes, que inicialmente protestavam contra o aumento do custo de vida e as concessões de minerais críticos aos americanos, agora exigem a soltura imediata de todos os detidos como condição inegociável para desmobilizar os bloqueios rodoviários. O impasse mantém a Bolívia sob um severo cerco logístico, gerando desabastecimento generalizado de insumos essenciais e consolidando o maior desafio de governabilidade da nova gestão de direita no continente sul-americano.

