A bancada ruralista rebateu as críticas do Ministério da Fazenda e afirmou que a renegociação de dívidas do setor agropecuário não representa uma “pauta-bomba” para as contas públicas. Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o projeto teria custo máximo de R$ 5 bilhões no primeiro ano e R$ 65 bilhões ao longo de 13 anos — menos da metade dos R$ 140 bilhões estimados pela equipe econômica do governo Lula.

O texto, aprovado no Senado em 10 de junho de 2026, autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e outras fontes para criar linha especial de financiamento destinada à renegociação de dívidas rurais acumuladas especialmente por eventos climáticos extremos, juros altos e queda nos preços das commodities.

RURALISTAS CONTESTAM CÁLCULOS DA FAZENDA

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou o projeto como de alto impacto fiscal e chegou a avaliar veto ou questionamento no STF. A bancada, liderada por nomes como o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), refuta os números do governo.

De acordo com técnicos da FPA, o projeto tem caráter autorizativo e inclui filtros rigorosos: o produtor deve comprovar perda de pelo menos 30% em duas safras via laudos técnicos. A estimativa considera que apenas cerca de R$ 100 bilhões em dívidas seriam efetivamente renegociados, com equalização de juros entre 3,5% e 7,5% ao ano ante a Selic elevada.

CRISE NO CAMPO MOTIVA PRESSÃO

O setor enfrenta endividamento elevado, estimado em mais de R$ 200 bilhões na carteira estressada, agravado por secas, enchentes e custos de produção elevados. Produtores argumentam que sem renegociação ampliada, o acesso a novo crédito para a próxima safra ficará comprometido, ameaçando a produção e a economia nacional, que tem no agronegócio um dos principais motores.

O governo Lula, por outro lado, defende que a medida pode gerar risco moral, premiar inadimplentes e pressionar ainda mais o orçamento em um cenário de restrições fiscais.

REAÇÃO POLÍTICA E IMPACTOS

A direita e os bolsonaristas veem a resistência do governo petista como mais um sinal de hostilidade ao campo e ao setor produtivo, que historicamente apoia valores conservadores, liberalismo econômico e oposição ao intervencionismo estatal excessivo. A aprovação no Senado, mesmo sem acordo com a Fazenda, demonstra força da bancada ruralista no Congresso.

O projeto agora retorna à Câmara dos Deputados. Ruralistas tentam convencer o presidente da Casa, Hugo Motta, a pautar a matéria rapidamente.