O influenciador financeiro Thiago Nigro, conhecido como O Primo Rico, publicou no Instagram um reel com a legenda “Esse é o ‘novo normal’ do Brasil…”, compilando uma sequência de notícias econômicas que chegaram ao público logo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

A peça viraliza em um momento em que o mercado e analistas discutem o impacto de novas medidas de arrecadação e de socorro a estatais deficitárias sobre o contribuinte e o investidor.

Correios recebem garantia de R$ 7 bilhões

O Ministério da Fazenda autorizou, em 27 e 28 de outubro, a concessão de garantia do Tesouro Nacional a um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para os Correios. A operação, negociada com um consórcio formado por Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan, terá prazo de 15 anos, carência de três anos e custo em torno de 114% do CDI.

Os recursos fazem parte do plano de reestruturação da estatal, que fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e registrou perda de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026. Em dezembro de 2025 os Correios já haviam contratado outro empréstimo, de R$ 12 bilhões, também com aval da União.

Na prática, se a empresa não honrar a dívida, o Tesouro — ou seja, o contribuinte — assume o pagamento. A medida foi publicada no Diário Oficial da União e ocorre enquanto o governo busca recompor o caixa de uma companhia que acumula rombos bilionários.

TCU aprova CBS de 11,3%

No mesmo período, o Tribunal de Contas da União aprovou o cálculo da alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 11,3%. O percentual, arredondado a partir de 11,3468%, ficou acima das estimativas anteriores do governo (que giravam entre 8,8% e 9,21%).

A CBS substituirá gradualmente o PIS e a Cofins a partir de 2027. O TCU encaminhará o número ao Senado Federal, que tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota por resolução. Caso não o faça, prevalece o cálculo da corte.

Entidades empresariais, como a Abrasca, já alertaram que o percentual reflete a multiplicação de regimes diferenciados e benefícios durante a tramitação da reforma, elevando a carga sobre os demais contribuintes.

Estudo de IOF sobre LCI, LCA e títulos isentos

Paralelamente, a equipe econômica voltou a estudar a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos hoje isentos de Imposto de Renda, como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. A alíquota atual de IOF nesses papéis é zero.

Diferente da tentativa anterior via Medida Provisória (que caducou após rejeição do Congresso), o IOF pode ser alterado por decreto do Executivo, sem necessidade de aprovação prévia dos parlamentares e com efeito imediato. Fontes ouvidas por O Globo e Valor apontam que a medida está no radar para reforçar a arrecadação.

O Congresso já havia barrado, em 2025, tanto o aumento de IOF por decreto quanto a tributação desses títulos via IR. A retomada da discussão logo após as eleições é vista por parte do mercado como tentativa de contornar a decisão legislativa.

Para críticos da política econômica atual, a combinação de socorro bilionário a estatais ineficientes, alíquota de CBS acima do previsto e nova ofensiva tributária sobre investimentos forma exatamente o “novo normal” apontado por Nigro: mais impostos e mais dívida para sustentar o mesmo modelo de gasto público.

O reel original está disponível no Instagram de Thiago Nigro.