Analistas e gestores de mercado alertam para risco elevado de acionamento do circuit breaker na B3 nesta segunda-feira (26), primeiro dia útil após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

O circuit breaker é o mecanismo da Bolsa que interrompe temporariamente as negociações quando há quedas muito fortes. Ele é acionado se o Ibovespa cair 10% em relação ao fechamento do pregão anterior (pausa de 30 minutos). Se a queda chegar a 15% após a reabertura, há nova interrupção de uma hora, e uma terceira em 20%. A última vez em que foi acionado foi no início da pandemia, em março de 2020.

Segundo a diretora de macroeconomia do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, a vitória de Lula por diferença superior a 4 milhões de votos aumenta a probabilidade de o mecanismo ser acionado, devido à expectativa de continuidade da política de gastos expansionista. Relatórios de outras casas, como Monte Bravo, estimavam cerca de 55% de chance de circuit breaker condicional à vitória de Lula, com queda intradia mediana projetada acima de 10%.

Após o primeiro turno, com Flávio Bolsonaro à frente, o Ibovespa chegou a subir fortemente e encerrou a semana anterior perto de 205 mil pontos. A expectativa do mercado era de reação negativa nesta segunda, com possível alta do dólar e queda de ações domésticas sensíveis a juros e gastos públicos.

Nas redes sociais, a reação crítica aparece em posts com alta interação. Um deles afirma: “Tivemos a chance de fazer o Brasil voar. De colocar o país no rumo do crescimento e dar mais poder de compra aos brasileiros. Mais alguns escolheram errado. Espero que sobre algum Brasil em 2030.”

O pregão desta segunda é acompanhado de perto por investidores, que avaliam os efeitos imediatos do resultado eleitoral sobre ativos brasileiros.