ANUÁRIO REVELA RECORDE DE FEMINICÍDIOS EM 2025 ENQUANTO MORTES VIOLENTAS CAEM; GLOBO FOCA EM LETALIDADE POLICIAL
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram 1.571 feminicídios (alta de 4%) e queda de 8,2% nas mortes violentas intencionais. Enquanto isso, reportagens da Globo destacam o aumento das mortes por intervenção policial.
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica desde a tipificação do crime em 2015, com alta de 4% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, as mortes violentas intencionais caíram 8,2%, chegando a 40.775 casos — o menor patamar desde 2012. A taxa nacional ficou em 19,1 por 100 mil habitantes, abaixo de 20 pela primeira vez na série.
RECORDE DE FEMINICÍDIOS E TENTATIVAS
Segundo o anuário, foram registrados 3.539 homicídios de mulheres no ano passado. Desse total, 1.571 foram classificados como feminicídios (mortes em razão da condição de mulher). Para cada feminicídio consumado, houve quase três tentativas: 4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio, alta de 5,9%. Isso equivale a uma mulher sobrevivendo a uma tentativa a cada duas horas. Outros indicadores de violência contra a mulher também cresceram, como stalking (30%), violência psicológica (17%) e descumprimento de medidas protetivas (17%). Mulheres negras representaram 65,1% das vítimas de feminicídio.
QUEDA GERAL NAS MORTES VIOLENTAS
As mortes violentas intencionais (homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial) recuaram 8,2%. Os homicídios dolosos caíram 10%, para 32.914 casos. A tendência de redução se mantém desde 2018, com queda de 31% em relação a 2012. Vinte estados registraram redução. Sete unidades da federação, no entanto, apresentaram alta: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
MORTES POR INTERVENÇÃO POLICIAL SOBEM
A única subcategoria que piorou, além dos feminicídios, foi a de mortes decorrentes de intervenções policiais. O Brasil registrou cerca de 6.600 pessoas mortas por policiais em 2025, o que equivale a aproximadamente 18 por dia. O Globo destacou o número como a maior letalidade policial da última década, com Amapá e Bahia liderando as taxas.
COBERTURA DA GLOBO E CRÍTICAS
Enquanto o anuário registra o recorde de feminicídios e a queda nas mortes violentas gerais, reportagens da Globo e veículos do grupo priorizaram a alta na letalidade policial. Críticos apontam seletividade na cobertura: o foco em “violência policial” ofuscaria o aumento específico de assassinatos de mulheres e outros indicadores de criminalidade. A direita e setores bolsonaristas têm usado os números para cobrar do governo Lula políticas mais efetivas de segurança e proteção às mulheres, além de questionar a narrativa que coloca a polícia como problema central.
O anuário reforça a contradição entre a redução geral da violência letal e o avanço de crimes específicos contra mulheres, abrindo espaço para debates sobre a eficácia das políticas públicas de segurança e de combate à violência de gênero.

