ANUÁRIO REVELA 792 MIL ROUBOS E FURTOS DE CELULARES EM 2025 E RELEMBRA FALA DE LULA SOBRE POBRES COMPRANDO APARELHOS ROUBADOS
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram queda de 7,7% no total de ocorrências. São Luís lidera ranking de taxas. Em junho, presidente afirmou que “rico não compra telefone roubado, mas os pobres compram”.
O Brasil registrou 792.284 ocorrências de roubo e furto de celular em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número representa uma queda de 7,7% em relação a 2024 e equivale a uma taxa de 371,2 casos por 100 mil habitantes. Apesar da redução, o levantamento evidencia desigualdades regionais e concentrações alarmantes em algumas cidades.
SÃO LUÍS LIDERÁ RANKING; SÃO PAULO CONCENTRA 20% DOS CASOS
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, São Luís (MA) apresentou a maior taxa: 1.517 ocorrências por 100 mil habitantes. Em segundo lugar ficou Belém (PA), com 1.487, seguida por São Paulo (SP), com 1.390. Salvador (BA) aparece em quarto, com 1.195. O ranking das dez primeiras é dominado por capitais e cidades do Norte e Nordeste. Embora ocupe a terceira posição em taxa, São Paulo concentra sozinha 20% de todos os roubos e furtos de celular do país, apesar de representar apenas 5,6% da população brasileira.
ROUBOS CAEM, FURTOS SOBEM LEVEMENTE
Os roubos de celular (com violência ou ameaça) caíram 18,6% em 2025, totalizando 308.723 casos. Já os furtos registraram leve alta de 0,9%, chegando a 483.561 ocorrências. Atualmente, seis em cada dez celulares subtraídos no Brasil são fruto de furto e quatro em cada dez decorrem de roubo. O Rio de Janeiro foi o único estado a registrar aumento nos roubos (19,4%).
A DECLARAÇÃO DE LULA EM JUNHO DE 2026
Os números do anuário resgatam a polêmica declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Itamaraty, em 10 de junho de 2026. Ao falar sobre planos de notificar usuários de aparelhos irregulares, Lula afirmou:
“Eu sei que rico não compra telefone roubado, mas eu sei que os pobres compram. Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta. Ou mais barata.”
A fala ocorreu no contexto do anúncio de medidas do programa Celular Seguro, que prevê notificações para devolução de aparelhos cadastrados como roubados. O presidente reconheceu que a medida gerava “inquietação econômica” por atingir prioritariamente pessoas de baixa renda, mas defendeu a necessidade de combater a receptação.
IMPACTO E DESAFIOS PARA POLÍTICAS PÚBLICAS
Especialistas do FBSP destacam que a queda geral ainda deixa o país com números elevados e com forte concentração em determinadas regiões. O anuário reforça a necessidade de políticas integradas de prevenção, combate à receptação e incentivo ao registro de boletins de ocorrência. A declaração de Lula, proferida semanas antes da divulgação dos dados oficiais de 2025, continua sendo citada em debates sobre o perfil do mercado de aparelhos roubados e sobre a responsabilidade do Estado em reduzir a demanda por produtos de origem ilícita.

