Carlos Andreazza disse, no Estadão Analisa desta quinta-feira (1º), que Flávio Dino criou para si um inquérito de inspiração numa guerra religiosa que não existe, e o episódio trata o ministro como quem forja essa guerra no meio da eleição. O alvo da frase é a ordem de quarta (30), em que Dino mandou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República apurar o que ele chamou de aparente onda de ataques a imagens religiosas, depois de dizer que as denúncias chegaram ao gabinete dele desde que, no domingo, restabeleceu os posts sobre Nossa Senhora Aparecida.

No despacho, Dino citou onze casos noticiados nos últimos meses, em cidades como Cuiabá, Salvador, Maceió, Londrina, Rio Grande, Esmeraldas, Jauru, Santo Amaro e Novo Progresso, e listou crimes que vão de ultraje a culto e preconceito religioso a ameaça, furto, dano e incêndio. Uma das informações teria sido encaminhada por Gilmar Mendes. O ministro escreveu que, pela repercussão em mais de um estado, cabia à Polícia Federal começar a apuração, que pode ser concentrada ou separada conforme o que os investigadores encontrarem.

No mesmo dia em que Andreazza falou, Dino declarou a perda de objeto da decisão que tinha mantido no ar o post do humorista Antonio Tabet, porque o TSE, na quarta, manteve essa publicação e tirou do ar o que liga Flávio Bolsonaro, como fato, à retirada do título de padroeira. Ao encerrar o caso, o ministro deixou o recado de que é destituída de base constitucional a ideia de tratar a Corte Eleitoral como uma corte suprema, em posição equivalente à do STF.

Joel Pinheiro, comentarista da GloboNews, publicou um vídeo em que lista as ações recentes de Dino e conclui que o Supremo está fora de controle, com a frase de que ou a Corte se autolimita ou será limitada por um poder externo, e de que a única forma de limitá-la é o Senado. A Meta tirou a publicação do ar no Brasil cerca de quinze minutos depois, com a alegação de violação da regra eleitoral, e Pinheiro respondeu que não violou lei nenhuma e que o vídeo precisava voltar. Fora do país, o conteúdo continuou disponível.