O advogado-geral da União, Jorge Messias, entregou nesta quinta-feira (1º) uma notícia-crime ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedindo que investiguem um suposto financiamento do governo de Donald Trump a grupos no Brasil. O pedido saiu a três dias do primeiro turno e se apoia na reportagem do jornal britânico The Guardian sobre US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,1 milhões, de um fundo americano de direitos humanos e democracia para um programa chamado Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil.

Na peça, a AGU diz que a reportagem aponta um possível uso de dinheiro público americano por redes e organizações que atuariam aqui para interferir no debate e deslegitimar o Supremo, e trata o caso como financiamento de uma agenda de extrema direita. Pede que a Polícia Federal e o Ministério Público descubram quem comandaria a operação e quem, no Brasil, receberia os recursos. Se os fatos se confirmarem, o órgão fala em ingerência estrangeira, cita soberania, independência e não intervenção, e lembra a lei que proíbe governo ou entidade de fora de financiar ou subordinar partido político. A Folha registrou que o Ministério Público pode abrir inquérito ou arquivar o pedido.

O que o Guardian publicou, e que a própria AGU usa como base, é a destinação do milhão dentro de um pacote de US$ 176,9 milhões que Marco Rubio assinou no fim do ano fiscal americano, para organizações que se oponham ao que o programa chama de excesso judicial e censura do Supremo. O jornal não deu o nome de quem receberia o dinheiro no Brasil, um assessor democrata do Congresso disse que a senadora Jeanne Shaheen mantinha bloqueio sobre um pacote que inclui o país, e o Departamento de Estado afirmou ao Guardian que os programas ainda estavam em análise. É por isso que a notícia-crime pede à polícia que ache o destinatário, em vez de apontar um.