ANALISTAS DE BANCO PASSAM A DAR 60% DE CHANCE A FLÁVIO
Daniela Lima disse no UOL que o mercado mudou o call e citou áudio da Necton trocando Lula por Flávio Bolsonaro
No Pulso Político, do Canal UOL, em 24 de setembro, Daniela Lima disse que analistas contratados por bancos e gestoras passaram a trabalhar com Flávio Bolsonaro como favorito, numa mudança de call que ela descreveu como praticamente unânime entre pesquisadores e analistas do mercado, e a estimativa que ela atribuiu a relatórios, pesquisas privadas e áudios que circulam entre investidores é de 60% de chance de vitória de Flávio contra 40% de chance de reeleição de Lula, número que não é intenção de voto e que a própria apuração separa dos levantamentos públicos.
O marco que Daniela apontou para essa virada foi o dia 10 de setembro, quando, segundo ela, viralizou entre integrantes do mercado um áudio de Richard Back, analista da Necton Investimentos, enviado a clientes com a frase de que a casa estava fazendo uma mudança muito importante de call, Flávio Bolsonaro presidente e não mais Lula, e a apresentadora disse que, a partir dali, passou a acompanhar outras projeções e trackings privados, leitura que a Hora 1 Bahia repercutiu no dia seguinte ao registrar que a mudança teria sido identificada em relatórios e análises produzidas para investidores, com os analistas passando a pesar desempenho regional, indecisos e a possibilidade de alta da abstenção.
O contraste com a urna declarada, na mesma quinta-feira, é o que impede de tratar os 60% como placar, porque o Datafolha daquele dia punha Lula com 40% e Flávio com 36% no primeiro turno, e no segundo turno os dois ficaram em empate técnico, 47% para Lula e 45% para Flávio, dentro da margem, de modo que o mercado estava precificando a probabilidade de quem chega ao fim, enquanto a pesquisa media quem o eleitor diz que vota, dois instrumentos que naquela semana apontavam o mesmo nome em posições diferentes.
O que ficou dito no dia 24, a dez dias do primeiro turno, é que a Faria Lima já tinha trocado o call no dia 10 e vendia Flávio com 60% de chance, sem que o Datafolha tivesse saído do empate técnico, e o eleitor que ouve o número precisa ouvir também o que ele mede, porque 60% de chance de vitória não é 60% dos votos, e a frase do analista da Necton, do jeito que Daniela a trouxe, foi uma troca de favorito, não uma pesquisa registrada.

