Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriram a integrantes da campanha petista o uso do apresentador José Luiz Datena como uma das principais vozes nos programas eleitorais de TV do PT. A ideia, revelada nesta sexta-feira (7) pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, é que Datena apareça nas inserções expondo denúncias e casos negativos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. A avaliação no entorno de Lula é que o apresentador, conhecido por décadas à frente de programas policiais, teria credibilidade para explorar especialmente a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

SUGESTÃO SURGE COMO RESPOSTA DIRETA À ESCOLHA DE ALFREDO GASPAR

A proposta petista veio como reação ao movimento da campanha de Flávio Bolsonaro. Integrantes do entorno do senador pretendem usar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado no dia 5 de agosto como vice na chapa presidencial, nos programas eleitorais. Gaspar foi relator da CPMI do INSS e, nesse papel, deu peso a acusações envolvendo pessoas próximas a Lula. Entre os alvos citados estão Fábio Luís Lula da Silva (o Lulinha), Frei Chico (irmão do presidente) e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (o Marcola). A coluna Radar, da Veja, já havia registrado a estratégia bolsonarista de explorar o histórico de Gaspar.

DATENA É VISTO COMO CONTRAPONTO COM CREDIBILIDADE POLICIAL

No entorno de Lula, a leitura é que Datena poderia cumprir papel semelhante ao de Gaspar. A aposta é na imagem construída por décadas em programas de TV policiais, que o apresentador usaria para apresentar denúncias contra Flávio ao eleitorado. Datena está longe das telas desde junho, quando deixou a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) — emissora pública ligada ao governo federal — para disputar uma vaga de deputado federal pelo PSB de São Paulo nas eleições de 2026. A saída foi confirmada pela própria estatal e por reportagens de veículos como Estadão e Metrópoles.

RELAÇÃO COM VORCARO E BANCO MASTER COMO ALVO CENTRAL

O principal material que aliados de Lula querem explorar via Datena é a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. Reportagens de veículos como Intercept Brasil, CNN Brasil, G1 e Estadão revelaram que o senador negociou e cobrou repasses de valores (na casa de dezenas de milhões de reais) para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio admitiu publicamente o pedido de “patrocínio privado” e a relação, negando qualquer irregularidade ou troca de favores. Vorcaro foi preso e o Banco Master liquidado em meio a investigações da Polícia Federal sobre fraudes financeiras. A campanha petista vê no episódio munição para desgastar o adversário.

ESTRATÉGIA REVELA TOM DA CAMPANHA E TENTATIVA DE PERSONALIZAÇÃO

A sugestão de usar Datena mostra o caráter personalizado e de ataque que a campanha de Lula pretende imprimir contra Flávio Bolsonaro. Enquanto a direita e os bolsonaristas apostam em Gaspar e no desgaste do escândalo do INSS (que atingiu o entorno do presidente), o lado petista busca um rosto com apelo popular e histórico em denúncias para revidar. Datena, que já teve passagem pelo PT e manteve proximidade histórica com Lula, agora concorre pelo PSB — partido da base aliada — e é cotado para reforçar o discurso de segurança pública. A manobra ilustra a disputa por narrativas e a tentativa de transferir o foco dos problemas do governo para a oposição.