ALESSANDRO VIEIRA PODE FICAR INELEGÍVEL POR USAR CPI PARA ATACAR STF
PGR analisa representação de Gilmar Mendes contra o senador por desvio de finalidade na CPI do Crime Organizado. Relatório que propunha indiciamento do ministro foi rejeitado. Caso pode ir à Justiça Eleitoral de Sergipe.
A Procuradoria-Geral da República analisa representação do ministro Gilmar Mendes, do STF, contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por suposto desvio de finalidade e abuso de autoridade na CPI do Crime Organizado. Vieira, como relator, propôs o indiciamento de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e do próprio procurador-geral Paulo Gonet por crimes de responsabilidade ligados ao caso Banco Master. O relatório foi rejeitado por 6 votos a 4.
GILMAR MENDES ACIONA PGR
Gilmar Mendes sustentou que o senador utilizou a CPI — criada para investigar organizações criminosas, facções e milícias — para promover um indiciamento sem respaldo e fora do objeto da comissão. O ministro alegou desvio de finalidade, abuso de poder político e possível infração eleitoral. A representação pede apuração sob a Lei de Abuso de Autoridade.
PGR E POSSÍVEL ENCAMINHAMENTO ELEITORAL
Segundo informações que circularam, a PGR avalia que o relatório “destoou sobremaneira do escopo investigativo” da CPI ao discutir crime de responsabilidade de ministro do Supremo. A proposta de indiciamento sequer foi aprovada. Há menção a envio do caso à Procuradoria Regional Eleitoral de Sergipe para análise de providências, o que pode abrir caminho para questionamento de inelegibilidade.
SEPARAÇÃO DE PODERES EM DISCUSSÃO
A PGR, na linha da representação, entende que CPIs não podem revisar atos jurisdicionais nem transformar decisões judiciais em objeto de responsabilização política. Vieira teria, segundo a acusação, atuado como “censor de votos” de ministros ao questionar decisões relacionadas ao Banco Master. O senador rebateu pedindo arquivamento e invocando imunidade parlamentar absoluta, com base em precedentes do próprio Gilmar Mendes.
CENÁRIO ELEITORAL E REPERCUSSÃO
O episódio ocorre em ano eleitoral e reacende o debate sobre os limites das CPIs e a reação do Judiciário a críticas. Ala do STF chegou a discutir medidas para tornar Vieira inelegível ainda em 2026. O senador classifica as reações como tentativa de intimidação e defende que o relatório foi elaborado com base em indícios públicos. O caso segue sob análise e pode ter desdobramentos na esfera eleitoral.

