A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou, nesta quinta-feira (25 de junho de 2026), um novo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli junto à Corte Suprema de Cassação da Itália. O órgão reforçou o compromisso do Estado brasileiro com a cooperação jurídica internacional, mas não detalhou o conteúdo da manifestação em razão do sigilo que envolve o procedimento.

GILMAR MENDES ENVIA GARANTIAS PARA O PEDIDO

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à AGU documento com garantias adicionais solicitadas pela Justiça italiana. No texto, o magistrado defendeu a regularidade da condenação de Zambelli — relativa ao episódio em que ela perseguiu um homem com arma em punho nas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022 —, afirmando que o processo tramitou sem nulidades e com ampla maioria no Plenário do STF.

Gilmar destacou que, caso extraditada, Zambelli cumprirá pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), com condições adequadas, acesso à defesa, familiares e representantes diplomáticos italianos.

CONTEXTO DA CONDENAÇÃO E FUGA PARA A ITÁLIA

Carla Zambelli foi condenada pelo STF a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. A ex-parlamentar, que possui dupla cidadania, deixou o Brasil após condenações e foi presa na Itália em julho de 2025. Em maio de 2026, a Corte de Cassação italiana negou um primeiro pedido de extradição relacionado à invasão dos sistemas do CNJ, liberando-a e gerando críticas ao ativismo judicial brasileiro, especialmente quanto à atuação do ministro Alexandre de Moraes.

O novo pedido, agora em tramitação sigilosa, refere-se especificamente ao caso da perseguição armada.

REAÇÃO E IMPACTO POLÍTICO

Para a direita e os bolsonaristas, Zambelli é vista como vítima de perseguição política por parte do STF, que teria agido com parcialidade em processos contra opositores do governo Lula. A negativa anterior da Itália foi celebrada por muitos como reconhecimento de irregularidades no Judiciário brasileiro, incluindo violações à imparcialidade.

O governo Lula, por meio da AGU, insiste na efetividade da jurisdição penal e no combate à impunidade, mas críticos conservadores apontam contradições: enquanto se busca extradição com garantias, o próprio sistema brasileiro é questionado internacionalmente por falta de segurança jurídica e ativismo judicial.