ABIN DISSE A FRANÇA E ALEMANHA QUE EUA E RÚSSIA INTERFEREM NA ELEIÇÃO
O relato é de um participante da reunião de 9 a 11 de setembro, não um documento da agência. Sobre a Rússia, não houve detalhe. Os EUA não comentaram
A Reuters publicou nesta quarta-feira (30) que a Abin disse a uma delegação da França e da Alemanha que os Estados Unidos e a Rússia estariam interferindo na eleição brasileira. A visita foi de 9 a 11 de setembro, em Brasília. O encontro fazia parte de uma missão da União Europeia para falar da Lei de Serviços Digitais, a regra europeia que manda as plataformas retirarem conteúdo considerado ilegal ou prejudicial.
Do lado francês estavam a Viginum, que caça desinformação vinda de fora, e a Arcom, que regula mídia e comunicação. Do lado alemão, a Agência Federal de Redes. O que a Reuters viu não foi um papel oficial da Abin. Foi um relatório escrito por um dos participantes. Nesse texto, os agentes “confirmaram a existência de interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia”.
Sobre os Estados Unidos, a única descrição é esta: a interferência iria “de ações judiciais até interferência abertamente reconhecida”. Lawfare, no original. Sobre a Rússia, o mesmo relatório não traz um fato, um nome nem um exemplo. A Abin não respondeu à Reuters. O Departamento de Estado americano também não respondeu e, antes, já tinha negado que buscasse interferir na eleição do Brasil. A embaixada da Rússia não comentou. Moscou nega, de forma geral, interferir em eleições de outros países.
A agência alemã fez uma ressalva: disse que possível interferência americana nas eleições da Alemanha não foi discutida naquela mesa. A Reuters liga o alerta ao apoio aberto de Donald Trump a candidatos alinhados ao movimento MAGA, no momento em que Flávio Bolsonaro e Lula disputam o primeiro turno de domingo (4). O que ficou documentado é o recado da inteligência do governo brasileiro aos europeus, sem a prova correspondente no relatório.

