Fábio Zanini, editor do Painel da Folha, disse numa análise publicada no Instagram do jornal que, na onda de direita deste primeiro turno, o caso do Senado é o que mais chama a atenção, porque serão cerca de 50 senadores bolsonaristas raiz, o bastante para eleger o presidente da Casa e para aprovar emenda constitucional, e a conta que circula nos levantamentos chega perto disso quando se soma a bancada do PL, que ficará com 28 cadeiras, a senadores de Republicanos, PP, União e Novo alinhados a essa pauta, um bloco que alguns veículos já colocam em 48 e que sobe para cerca de 50 se entrar o Podemos.

O número que Zanini trata como raiz não é um carimbo do TSE, e a diferença entre os quóruns explica o que esses 50 alcançam e o que não alcançam, porque a presidência do Senado, em fevereiro de 2027, se decide por maioria, na prática 41 votos, e a emenda constitucional pede três quintos da Casa, 49 de 81, em dois turnos, enquanto a condenação de um ministro do Supremo no impeachment continua exigindo dois terços, 54 votos, de modo que a bancada descrita por ele abre a porta da Constituição e do comando da Casa e ainda não fecha sozinha a destituição de um ministro.

O próprio Painel registrou que os bolsonaristas já discutem outro nome para a presidência do Senado, com Rogério Marinho e Tereza Cristina entre os citados, enquanto Davi Alcolumbre disse a interlocutores que segue com Lula, e a federação União-PP se reúne nesta terça para tratar do apoio a Flávio no segundo turno, mas dirigentes querem ouvir Alcolumbre antes, o que mostra que parte das cadeiras somadas nesse “cerca de 50” ainda não vota como um bloco único.