O advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), respondeu às acusações do atacante Richarlison sobre a disputa pelos direitos de ocupação da Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O jogador alega ter investido cerca de R$ 10 milhões em 2020, por meio da empresa Sport 70, e afirma que o imóvel foi tomado “na mão grande” após se recusar a vendê-lo a Flávio. Tomaz rebate que Richarlison negociou com posseiros, e não com a proprietária legítima.

Segundo o advogado, o contrato apresentado pelo jogador identifica o vendedor como alguém que “se declara possuidor”, sem título de propriedade. Tomaz afirma ter adquirido os direitos da empresa que figurava como titular da área desde 1986, com escritura pública de compra e venda registrada na matrícula do imóvel no Cartório de Angra dos Reis e certidão da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) em nome da WT Administração de Imóveis. Em resposta a questionamento judicial, a SPU confirmou a WT como titular. A Sport 70, empresa ligada a Richarlison e a seu então sócio Renato Velasco, foi derrotada em todas as instâncias, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade. Em 2025, a empresa e o sócio assinaram renúncia ao processo para evitar o pagamento de sucumbência. Nos próprios autos, a Sport 70 declarou ter pago R$ 2,6 milhões a terceiros invasores, valor divergente dos R$ 10 milhões citados pelo jogador.

Tomaz classifica as manifestações de Richarlison como oportunismo eleitoral e afirma que Flávio Bolsonaro nunca comprou nem vendeu o imóvel, tendo figurado apenas como testemunha arrolada por Alencar da Silveira Júnior, sócio do jogador. O advogado chegou a desafiar o atacante a apresentar, em 72 horas, qualquer documento anterior a julho de 2022 — escritura, contrato registrado ou inscrição na SPU — acompanhado do comprovante de pagamento dos R$ 10 milhões. Caso os documentos fossem válidos, Tomaz se comprometeu a transferir os direitos sem cobrar qualquer valor. A Justiça do Distrito Federal negou pedido de tutela inibitória para impedir novas postagens, sob o fundamento de risco de censura prévia.