GESTOR DA ESH CAPITAL AFIRMA QUE VORCARO ERA "PAU MANDADO" DOS DONOS DO MASTER
Em depoimento à CPMI, Fabrício Vicino revela que Nelson Tanure seria o verdadeiro controlador do banco; ausência de menções a dívidas de R$ 3 bilhões em mensagens de Vorcaro reforça tese de "testa de ferro"
O empresário Daniel Vorcaro, figura central no escândalo envolvendo o Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes, foi classificado como um "pau mandado" e uma peça meramente figurativa na estrutura de comando da instituição financeira. A afirmação foi feita por Fabrício Vicino, gestor da Esh Capital, durante depoimento nesta quinta-feira, 19 de março de 2026. Segundo Vicino, evidências colhidas pela gestora apontam que o verdadeiro controlador do Banco Master seria o empresário Nelson Tanure, que ocuparia o topo da hierarquia nas operações investigadas.
Conforme informações divulgadas pelo Poder360 e detalhadas no depoimento, o gestor da Esh Capital realizou um exercício de cruzamento de datas entre as mensagens vazadas de Vorcaro e movimentações financeiras críticas do banco. Vicino destacou a estranheza de não haver sequer uma menção a dívidas supostamente assumidas por Vorcaro na ordem de R$ 3 bilhões em suas comunicações privadas. "Me surpreendeu que não tinha uma única menção. Meu sentimento é que é uma pessoa que não sabia nem o que estava acontecendo", afirmou o gestor.
A ESTRUTURA OCULTA E A CONEXÃO COM NELSON TANURE
Fabrício Vicino apresentou elementos que, segundo ele, comprovam que Nelson Tanure detém o controle de fato do Banco Master. O gestor argumentou que Vorcaro foi colocado na linha de frente apenas para "ser a cara" da instituição e realizar as conexões políticas necessárias, enquanto a operação financeira real era gerida por um escalão superior. Vicino prontificou-se a mostrar aos membros da comissão a estrutura detalhada de como Tanure operaria por trás das cortinas, reforçando que o caso é "muito maior do que o banco em si".
O SILÊNCIO NAS MENSAGENS COM A NAMORADA
Um dos pontos mais contundentes do depoimento foi a análise das mensagens de Vorcaro com sua namorada. Para o gestor da Esh Capital, seria impossível alguém envolvido em uma transação de R$ 3 bilhões não comentar o assunto em seu círculo íntimo de confiança. O silêncio absoluto sobre questões estruturais e financeiras de tamanha magnitude sugere, na visão de Vicino, que Vorcaro não possuía autonomia ou conhecimento profundo sobre as manobras do Banco Master, agindo apenas sob ordens.
O PAPEL DAS CONEXÕES POLÍTICAS
Embora minimizado como gestor financeiro, Daniel Vorcaro foi essencial na articulação política da rede. De acordo com o depoimento, sua função principal era estabelecer e manter os canais de comunicação com autoridades de Brasília, servindo de ponte para os interesses do grupo controlador. Essa revelação complica a situação de magistrados e políticos que mantinham contato direto com Vorcaro, uma vez que ele passaria a ser visto não como um interlocutor independente, mas como um emissário de interesses ocultos mais poderosos.
O QUE PODE ACONTECER A SEGUIR
Com a indicação direta de Nelson Tanure como o "cabeça" da hierarquia, a CPMI e a Polícia Federal devem ampliar o escopo das investigações para incluir as empresas e parceiros ligados ao empresário. Se a tese da Esh Capital for confirmada, Daniel Vorcaro poderá ser pressionado a aceitar um acordo de colaboração premiada para detalhar quem realmente ditava as ordens no Banco Master. O depoimento de Fabrício Vicino coloca o comando da instituição financeira sob pressão máxima, especialmente após a exposição de que o patrimônio de Vorcaro pode ser apenas uma fachada contábil para proteger os verdadeiros donos.
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