Daniel Vorcaro afirmou, em anexo de uma proposta de delação levada à Procuradoria-Geral da República em junho e revelado nesta sexta-feira pela Veja, que João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, exigiu uma taxa de 10% sobre tudo o que o Banco Master captasse nos fundos de previdência dos servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Se a operação saísse, o volume seria de cerca de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão ficaria com o PT e R$ 9 bilhões com o banco. No mesmo relato, o banqueiro diz que o então sócio Augusto Lima, por meio de caciques do PT da Bahia, se reuniu com Vaccari, e que o senador Jaques Wagner teria intermediado esse primeiro encontro, no qual também ficou combinado um adiantamento de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para o documentário de Lula gravado no exterior e pagamentos ao Instituto Lula.

Outro trecho do material, publicado pela Veja à tarde, descreve um grupo que Vorcaro atribui ao então ministro Alexandre Padilha, da Secretaria de Relações Institucionais, com o secretário-executivo Olavo Noleto. Segundo o anexo, só haveria entrada na Previ, na Petros e na Postalis mediante propina de 10%, com a mesma expectativa de captar R$ 10 bilhões e repassar R$ 1 bilhão. Vorcaro diz ainda que Padilha marcou uma reunião dele com a cúpula da Petros e que, num fundo de previdência de um município de Goiás, um negócio de R$ 60 milhões rendeu R$ 6 milhões pagos por um contrato de prestação de serviços que ele chama de forjado.

A PGR informou que as propostas chegaram pelos advogados e que não houve depoimento oral, porque a colaboração não avançou, e a Polícia Federal disse que não recebeu anexo com esse conteúdo. A defesa de Augusto Lima classificou os relatos de mentirosos, falsos e delirantes, uma narrativa sem valor probatório tirada de uma delação já recusada. Padilha afirmou que jamais agiu nem autorizou que outros agissem em favor de Vorcaro ou do Master. Lula disse que jamais solicitou ou recebeu vantagem, nem autorizou terceiros a receber recursos em seu nome. O advogado Daniel Bialski confirmou hoje que a voz de um dos áudios é de Vorcaro, e acrescentou que só o cliente poderá confirmar se os fatos narrados procedem.