REORGANIZAÇÃO NA VENEZUELA: DELCY RODRÍGUEZ DEMITE MINISTRO DA DEFESA ALIADO DE MADURO
Gustavo González López assume o cargo em meio à captura de Nicolás Maduro pelos EUA; Ana Paula Henkel aponta influência da Casa Branca na nomeação e abertura de embaixada americana em Caracas
A Venezuela atravessa uma reestruturação profunda em sua cúpula de poder após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, ocorrida em 3 de janeiro de 2026. A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira, 19 de março, a demissão de Vladimir Padrino López do cargo de ministro da Defesa. Padrino, que ocupava o posto desde 2014, era considerado um dos pilares de sustentação militar do antigo regime. Embora o governo tenha afirmado que ele assumirá "novas funções", detalhes sobre seu paradeiro ou futuro político não foram revelados.
Para o lugar de Padrino, foi nomeado Gustavo González López, figura conhecida na área de inteligência e segurança venezuelana. González López já foi alvo de sanções internacionais por violações de direitos humanos, mas sua ascensão ao comando da Defesa é vista como um movimento estratégico na transição monitorada por Washington. Conforme análise da jornalista Ana Paula Henkel, a nomeação dificilmente teria ocorrido sem o aval direto do Salão Oval, dado o nível de cooperação atual entre o governo interino e a administração de Donald Trump.
A CAUTELA DE TRUMP E A ABERTURA DA EMBAIXADA
Ana Paula Henkel destacou que a captura de Maduro não resultou na posse imediata de Maria Corina Machado, como muitos esperavam. Segundo a analista, o presidente americano teria sido cauteloso ao afirmar que colocar Machado no poder agora seria como "jogá-la em um rio de piranhas". A estratégia tem sido uma mudança gradual conduzida por Delcy Rodríguez, que passou a colaborar intensamente com os EUA. Um marco dessa nova fase foi a reabertura da embaixada americana em Caracas na semana passada, com direito ao hasteamento da bandeira e execução do hino nacional.
INTERESSES COMERCIAIS E A SOMBRA DA DELAÇÃO DE "EL POLLO"
A normalização das relações já rende frutos econômicos, com o ministro do Comércio dos EUA visitando o país e diversas empresas americanas iniciando negociações com o governo venezuelano. Henkel ressaltou que a inteligência americana e o Departamento de Estado estão "limpando o terreno" para garantir a estabilidade. Paralelamente, a expectativa gira em torno da delação premiada de Hugo Carvajal, o "El Pollo", que promete tornar públicas informações cruciais sobre o funcionamento do antigo regime e suas conexões internacionais.
RUMORES SOBRE UMA COLABORAÇÃO DE NICOLÁS MADURO
Com Maduro sob custódia americana, crescem os rumores de que o próprio ex-ditador possa estar negociando um acordo de colaboração premiada com as autoridades dos Estados Unidos. Embora nada tenha sido confirmado oficialmente, a possibilidade de Maduro entregar seus aliados regionais e detalhes do narcotráfico internacional é o que mais assusta lideranças de esquerda na América Latina. A troca no Ministério da Defesa por um nome ligado à inteligência reforça a tese de que a transição está focada em desmontar as redes de lealdade criadas nos últimos 20 anos.
O QUE PODE ACONTECER A SEGUIR
A consolidação de Gustavo González López na Defesa será testada pela reação das patentes médias do Exército Venezuelano, que ainda guardam simpatia pelo chavismo. Se a transição econômica prosperar com a entrada de capital americano, a resistência interna deve diminuir. O próximo grande passo aguardado é a definição de uma data para eleições gerais, nas quais Maria Corina Machado desponta como a favorita absoluta, desde que as condições de segurança interna sejam garantidas pela nova estrutura de defesa e pela presença diplomática dos Estados Unidos.
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