TSE DÁ 48 HORAS PARA LULA E SIDÔNIO EXPLICAREM USO DE CANAIS OFICIAIS DO GOVERNO EM PERÍODO ELEITORAL
Presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, atendeu ação do PL que aponta cerca de mil publicações no perfil Canal Gov promocionando programas e ações do governo durante a restrição à publicidade institucional.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou prazo de 48 horas para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Federação Brasil da Esperança e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, apresentem esclarecimentos sobre o uso de canais oficiais do governo para divulgar programas e ações da administração federal nas redes sociais. A decisão, tomada em caráter sigiloso e assinada na quinta-feira (23), atende a uma ação movida pelo Partido Liberal (PL).![]()
AÇÃO DO PL APONTA CERCA DE MIL PUBLICAÇÕES NO CANAL GOV
Na representação, o PL alega a veiculação de aproximadamente mil postagens consideradas irregulares nos perfis do “Canal Gov” no Instagram e no X (antigo Twitter). Segundo o partido, os conteúdos promoveram iniciativas do governo durante o período em que a legislação eleitoral restringe a publicidade institucional. Entre as publicações questionadas estão divulgações sobre o programa Gás do Povo, pagamentos do Pé-de-Meia, investimentos na agricultura familiar e eventos com a participação do presidente Lula, que disputa a reeleição.
LEGISLAÇÃO PROÍBE PUBLICIDADE INSTITUCIONAL NOS TRÊS MESES ANTERIORES À ELEIÇÃO
A Lei das Eleições veda, como regra, a publicidade institucional de programas, obras, serviços e ações de governo nos três meses que antecedem o pleito, com o objetivo de preservar a igualdade de condições entre os candidatos e evitar o uso da máquina pública em benefício eleitoral. O período de restrição começou em 4 de julho de 2026. A jurisprudência do TSE reforça que a proibição alcança conteúdos mesmo quando apresentados como informativos ou educativos, ressalvadas as hipóteses expressamente previstas em lei.
MINISTRO IDENTIFICA PLAUSIBILIDADE E DETERMINA PRESERVAÇÃO DAS POSTAGENS/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/V/X/AWkjpMRrmBaFgTwpeKAQ/nunes-marques.jpg)
Em análise preliminar, Nunes Marques afirmou que parte das publicações apresenta, em tese, características de publicidade institucional voltada à divulgação de programas, ações, obras e realizações do governo, o que confere plausibilidade jurídica à ação do PL. O ministro determinou que as plataformas Meta (Facebook e Instagram) e X preservem integralmente o material apontado para permitir um exame mais aprofundado pela Justiça Eleitoral. O PL pediu a suspensão das páginas oficiais ou a proibição de novas publicações, mas o presidente do TSE optou por medida cautelosa, priorizando a análise detalhada antes de qualquer decisão mais ampla.
CONTEXTO DA DISPUTA ELEITORAL DE 2026
A ação do PL foi protocolada em meio à intensificação da disputa presidencial. O partido oficializou no sábado (25) a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Planalto. A decisão de Nunes Marques, indicado ao STF no governo anterior, ocorre sob a presidência do ministro no TSE, cargo que ele assume no período eleitoral. A Secom, comandada por Sidônio Palmeira, é a pasta responsável pela comunicação institucional do governo federal.
A determinação do TSE reforça o escrutínio sobre o uso de estruturas oficiais em ano eleitoral e coloca o governo na posição de justificar publicamente as postagens questionadas.

