TRUMP JR. QUESTIONA PRORROGAÇÃO DE ZANIN E ANALISTA DA CNN DIZ QUE TRUMP PODE NÃO RECONHECER VITÓRIA DE LULA
O filho do presidente americano compartilhou no X uma crítica à decisão do ministro do STF que estendeu a votação até as 19h e acusou a imprensa dos Estados Unidos de silêncio. Para o analista Lourival Sant'Anna, o episódio entrou no radar de Washington, embora a Casa Branca não tenha anunciado posição oficial sobre o resultado.
Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, usou seu perfil no X para questionar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que ampliou o horário de votação do segundo turno de 17h para 19h a pedido da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a CNN Brasil, o Poder360 e o Terra, ele compartilhou uma publicação do advogado Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma Rumble em processos no STF, e acrescentou que, se um governo conservador no Brasil fizesse o mesmo, a imprensa tradicional americana perderia a cabeça, mas prefere ficar em silêncio porque é tudo pela causa.
No texto compartilhado, De Luca diz que Lula recorreu diretamente a Zanin, que foi seu advogado nos processos de corrupção, sem esperar uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral. O advogado pergunta se alguém na comunidade internacional reconheceria uma eleição decidida nessas condições como livre e justa e chega a comparar o petista ao ditador venezuelano Nicolás Maduro.
O analista de internacional da CNN Brasil Lourival Sant'Anna diz que a decisão de Zanin entrou no radar do governo americano e passou a ser usada como argumento por pessoas próximas a Trump. Para ele, o presidente americano pode seguir o caminho de não reconhecer a vitória de Lula. Sant'Anna diz que a manifestação do filho é um sinal de resistência no entorno do presidente, mas ressalta que não se trata de uma posição oficial da Casa Branca.
Mais de uma semana após o TSE proclamar a reeleição de Lula, Trump segue sem cumprimentar o petista nem reconhecer formalmente o resultado. O silêncio contrasta com o gesto do governo brasileiro, que pretende convidar o próprio Trump e o presidente argentino Javier Milei para a posse de 5 de janeiro, enquanto auxiliares do Planalto tentam apresentar o americano como isolado na comunidade internacional.

