O Tribunal Superior de Bogotá admitiu, nesta semana, uma tutela contra o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a Registradoria Nacional da Colômbia que contesta a candidatura presidencial de Abelardo de la Espriella, argumentando que sua dupla nacionalidade (colombiana e americana) o tornaria inelegível para o cargo caso vença a segunda volta das eleições presidenciais marcada para 21 de junho de 2026. A ação sustenta que as autoridades eleitorais falharam ao não suspender a inscrição do candidato do movimento Defensores de la Patria.

Embora a tutela tenha pedido a suspensão provisória da campanha, o tribunal não acatou essa medida, permitindo que De la Espriella continue sua corrida eleitoral contra o candidato de esquerda Iván Cepeda.

ARGUMENTOS CONTRA A CANDIDATURA

Os questionamentos giram em torno da naturalização americana obtida por De la Espriella em fevereiro de 2023, que inclui juramento de lealdade aos Estados Unidos. Críticos, incluindo ex-magistrados do CNE, argumentam que isso geraria conflito de lealdades incompatível com a chefia de Estado, especialmente em temas de soberania nacional, defesa e relações internacionais. A Constituição colombiana exige que o presidente seja colombiano por nascimento, cidadão em exercício e maior de 30 anos, mas não proíbe expressamente dupla nacionalidade — o que abre espaço para interpretações jurídicas divergentes.

POSIÇÃO DAS AUTORIDADES E DECISÕES ANTERIORES

O CNE já havia negado pedido de revogação da inscrição, considerando que não há inhabilidade configurada. O Conselho de Estado também manteve a candidatura em decisões prévias. De la Espriella, advogado e empresário conhecido como “El Tigre”, venceu o primeiro turno com cerca de 43,7% dos votos defendendo pautas de direita dura: segurança, redução de impostos, combate à corrupção e valores conservadores, posicionando-se como alternativa ao governo de Gustavo Petro.

IMPACTO POLÍTICO E REAÇÃO DA DIREITA

Para setores conservadores e de direita na Colômbia, a ação judicial surge como mais uma tentativa de interferência no processo democrático, similar a manobras judiciais vistas em outros países da região para impedir candidaturas anti-establishment. A proximidade da segunda volta amplifica o debate: enquanto defensores de De la Espriella veem na dupla nacionalidade um detalhe irrelevante diante de sua defesa da soberania e da ordem, opositores exploram o tema para questionar sua lealdade à nação colombiana. O caso expõe tensões entre formalismos jurídicos e a vontade popular expressa nas urnas.

A decisão do Tribunal Superior não paralisa a campanha, mas mantém viva a controvérsia, que pode gerar novos recursos e desdobramentos até o dia da votação.