O senador republicano Tom Cotton, presidente do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, afirmou que a administração de Donald Trump não interferirá nas eleições brasileiras de 2026, diferentemente do que teria ocorrido em 2022 sob Joe Biden. A declaração foi feita durante jantar em Washington que reuniu o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o aliado Paulo Figueiredo com 22 senadores republicanos.

Cotton comparou as posturas dos dois governos americanos. Segundo ele, em 2022 houve atuação institucional dos EUA, incluindo a visita do então diretor da CIA, William Burns, ao Brasil em julho de 2021 para discutir questionamentos de Jair Bolsonaro sobre a integridade do sistema eleitoral.

CONTEXTO DA REUNIÃO

O encontro ocorreu pouco após a condenação de Eduardo Bolsonaro pela Primeira Turma do STF a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo relacionado à suposta trama golpista. A reunião reforça laços entre a direita brasileira e o Partido Republicano americano, em clima de troca de experiências sobre soberania e interferências externas.

ANÁLISE EDITORIAL

Para a direita e bolsonaristas, a posição de Tom Cotton representa defesa da não-interferência estrangeira e respeito à autodeterminação do Brasil. Críticas à atuação de Biden em 2022 — vista como ingerência para favorecer Lula — ganham eco com o retorno de Trump. O alinhamento com republicanos fortalece a narrativa de que governos conservadores priorizam liberdade e soberania nacional, ao contrário de administrações democratas.

O caso de Eduardo Bolsonaro no STF é mais um capítulo da judicialização da política, com a direita denunciando ativismo e violações a garantias processuais. A conversa em Washington sinaliza que, sob Trump, o Brasil conservador terá aliados em Washington, não opositores.

A declaração de Cotton reforça o compromisso de não-repetir ingerências passadas e pode influenciar o ambiente político brasileiro rumo a 2026.