SEQUESTRO POR TRUMP E MILEI NA OEA É DENUNCIADO POR JORNALISTA DE ESQUERDA
Colunista do ICL Notícias critica proposta de seis países conservadores para reformar a CIDH; enquanto isso, Escudo das Américas prende um dos maiores traficantes do continente.
O governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e seus aliados conservadores na América Latina apresentaram uma proposta formal de reforma da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA). O documento, revelado nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, pelo colunista Jamil Chade no portal ICL Notícias, é assinado por EUA, Argentina, El Salvador, Equador, Paraguai e Peru — e foi interpretado pela esquerda diplomática como uma tentativa de controle do órgão.

O QUE DIZ O DOCUMENTO DOS SEIS PAÍSES
Conforme o documento obtido pelo ICL Notícias e descrito na reportagem de Jamil Chade de 16 de março de 2026, a proposta apresentada pelos governos dos seis países prevê, em prazo de doze meses, a redução de atrasos no processamento de petições, maior proteção às vítimas, otimização de audiências e transparência operacional. O texto não propõe extinção do órgão nem supressão de direitos — trata-se de uma reforma administrativa cujos defensores afirmam ser necessária. Países com governos progressistas, como Brasil e México, criticaram o caráter fechado das negociações, argumentando que as mudanças afetariam todos os membros do sistema interamericano.
QUEM ASSINOU O ESCUDO DAS AMÉRICAS
A iniciativa ocorre em paralelo ao Escudo das Américas, aliança anticrime criada por Trump e lançada oficialmente em cúpula realizada no Trump National Doral Miami, em 7 de março de 2026. Conforme informações publicadas pelo Diario HOY do Paraguai, o documento foi assinado por representantes de doze países: Argentina, Bolivia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago. Entre os signatários estavam os presidentes Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador), além do presidente eleito chileno José Antonio Kast. O compromisso firmado pelos países é de atuação conjunta para erradicar organizações criminosas transnacionais que ameaçam a paz no continente.

ESCUDO DAS AMÉRICAS JÁ ENTREGA RESULTADO: MARSET PRESO
Apenas seis dias após a cúpula, o Escudo das Américas colheu seu primeiro grande resultado. O megatraficante uruguaio Sebastián Enrique Marset Cabrera, de 34 anos, foi capturado na Bolívia em 13 de março de 2026, durante operação policial conjunta entre autoridades bolivianas e dos Estados Unidos. O operativo, classificado pelo presidente boliviano Rodrigo Paz como "cirúrgico", teve início às 2h30 com o fechamento de ruas no entorno da residência de Marset, no bairro Las Palmas, em Santa Cruz de la Sierra. O traficante foi encontrado sozinho, sem escolta imediata, e preso sem resistência. Bens avaliados em mais de 15 milhões de dólares foram apreendidos durante os operativos, além de quatro integrantes de sua segurança pessoal.
QUEM É SEBASTIÁN MARSET
Conhecido como "o gerente da Hidrovia", Marset figurava entre os três criminosos mais procurados pela DEA, agência antidrogas dos EUA, que oferecia recompensa de até 2 milhões de dólares por informações que levassem à sua prisão. A investigação "A Ultranza PY" vinculou sua organização a mais de 16 toneladas de cocaína apreendidas na Europa, incluindo 11 toneladas no porto de Antuérpia em 2021 e 4,7 toneladas no Paraguai. Marset também é investigado como suposto mandante do assassinato do promotor paraguaio antidrogas Marcelo Pecci, morto durante sua lua de mel na Colômbia em maio de 2022. Conforme reportagem da CNN Espanhol de 13 de março de 2026, após a prisão, o traficante foi transferido para os Estados Unidos sob custódia da DEA.

A PRESSÃO SOBRE A CIDH E A REAÇÃO DOS ALIADOS DE LULA
Ao mesmo tempo em que o Escudo das Américas produz resultados concretos no combate ao narcotráfico, a disputa em torno da CIDH se intensifica. Conforme a reportagem de Chade, o Departamento de Estado norte-americano protestou formalmente contra uma audiência realizada pela Comissão em 13 de março de 2026, na qual foram ouvidas denúncias contra operações militares dos EUA no Caribe. Em nota, Washington afirmou que o órgão "extrapolou seu mandato" ao tratar de questões relacionadas ao direito internacional humanitário. Diplomatas brasileiros, segundo a mesma reportagem, avaliaram a postura norte-americana como "grave" e expressaram temor de que a independência da Comissão seja progressivamente corroída — embora até o momento não haja confirmação oficial de que qualquer mudança tenha sido aprovada ou implementada.

O QUE PODE ACONTECER A SEGUIR
A proposta dos seis países está nas mãos da secretaria-executiva da CIDH, que até o fechamento desta edição não havia se pronunciado formalmente sobre como conduzirá o processo. O acadêmico brasileiro Fabio Sá e Silva, conforme citado pela reportagem do ICL Notícias, defendeu que as reformas sejam submetidas a consulta pública ampla antes de qualquer deliberação. Com o Escudo das Américas em operação e a aliança conservadora consolidada em doze países, o debate sobre quem efetivamente define os rumos da segurança e dos direitos humanos no continente americano está apenas começando.
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