Se a maior potência militar do planeta atravessasse a fronteira brasileira, quem apareceria para lutar ao nosso lado? A resposta de Daniel Lopes, durante participação no PrimoCast, foi direta: ninguém. Questionado sobre uma hipotética invasão ordenada por Donald Trump, o jornalista e analista geopolítico afirmou que nenhum país entraria para defender militarmente o Brasil. A fala acende um alerta incômodo: apesar da aproximação política de Lula com Rússia e China, Brasília não possui com essas potências um tratado de defesa mútua que as obrigue a enviar tropas — e discursos diplomáticos não substituem uma aliança militar.

O Brasil integra o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o TIAR, segundo o qual um ataque a um membro deve ser submetido à reação coletiva do continente. Mas o acordo não funciona como acionamento automático de exércitos e seria politicamente contraditório em uma crise causada pelos próprios Estados Unidos, sua principal força militar. A Guerra das Malvinas já mostrou os limites dessa proteção quando Washington apoiou o Reino Unido contra a Argentina. A conclusão da entrevista é dura: numa hipótese extrema, a defesa dependeria primeiro das próprias Forças Armadas brasileiras e de negociações internacionais — embora, até agora, não exista qualquer anúncio ou evidência de que Trump planeje invadir o Brasil.