RATINHO JÚNIOR DESISTE DA PRESIDÊNCIA; CASO MASTER E SÉRGIO MORO PESARAM NA DECISÃO
Governador do Paraná opta por permanecer no cargo para enfrentar avanço de Moro no estado e evitar desgaste com investigações sobre a privatização da Copel.
Numa reviravolta que altera o tabuleiro sucessório de 2026, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), anunciou oficialmente a sua desistência de concorrer à Presidência da República. A decisão, confirmada nesta segunda-feira (23 de março de 2026) e detalhada pela CNN Brasil, fundamenta-se numa combinação de pressões regionais e no receio de que as investigações do Caso Master atinjam a sua gestão. Com a saída de Ratinho, que era o nome do PSD com melhor desempenho nas pesquisas, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assume o protagonismo na disputa interna do partido.
O FATOR SÉRGIO MORO NO PARANÁ

Um dos principais motivos para a permanência de Ratinho Júnior no governo paranaense é o avanço do senador Sérgio Moro nas pesquisas locais. O grupo político do governador teme que a sua saída para a disputa nacional deixe o estado vulnerável a uma vitória de Moro, o que retiraria a hegemonia de Ratinho sobre o Paraná. Ao manter-se no cargo, o governador pretende utilizar a máquina estadual para fazer frente ao ex-juiz e garantir a continuidade do seu projeto político regional.
A SOMBRA DO CASO MASTER E A PRIVATIZAÇÃO DA COPEL

Outro ponto de extrema preocupação no entorno de Ratinho Júnior envolve a privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia). A Polícia Federal investiga suspeitas de que Nelson Tanuri, comprador da companhia, atue como sócio oculto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Como Vorcaro é o centro da "Delação Master" e do escândalo do INSS, qualquer ligação entre a venda da estatal paranaense e o grupo de Vorcaro poderia ser utilizada como munição pesada pelos adversários durante uma campanha presidencial, gerando um desgaste reputacional que o governador preferiu evitar.
O IMPACTO NA CPMI DO INSS E NO PLANALTO

A desistência de Ratinho Júnior ocorre no mesmo dia em que o ministro André Mendonça determinou a prorrogação da CPMI do INSS. A comissão, que investiga o crime organizado e as fraudes do Banco Master, promete avançar sobre processos de privatização e esquemas de corrupção que envolvem grandes grupos financeiros. Para observadores políticos, a decisão do governador do Paraná é um movimento de "retração estratégica" para blindar o seu grupo enquanto as investigações federais ganham fôlego no Congresso e no STF.
ANÁLISE DO EDITORIAL CENTRAL

Para o Editorial Central, a desistência de Ratinho Júnior é o primeiro grande "efeito colateral" político da Delação Master. Ao perceber que o cerco da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro e Nelson Tanuri poderia iluminar áreas cinzentas da privatização da Copel, Ratinho escolheu a segurança do palácio estadual em vez da incerteza do palanque nacional. Esta movimentação mostra que o Caso Master não é apenas um escândalo financeiro, mas uma bomba de fragmentação capaz de destruir candidaturas presidenciais antes mesmo do início oficial da campanha. Ronaldo Caiado agora herda o espólio do PSD, mas também a responsabilidade de navegar num cenário onde a corrupção sistémica volta a ser o tema central do debate nacional.
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