Procuradores que acompanham as investigações do Banco Master disseram à coluna de Mônica Bergamo, na Folha, que acreditam que o áudio em que Daniel Vorcaro fala de dinheiro para um documentário sobre Lula foi gravado na prisão, para ser usado contra o petista na campanha. Vorcaro está na Papudinha, em Brasília. Pela regra da unidade, quem o visita não pode entrar com gravador nem com celular, e uma gravação feita assim seria ilegal. No áudio, publicado pela Veja, ele diz que negociou com João Vaccari Neto o pagamento de propina para acessar fundos de pensão e que cerca de R$ 30 milhões teriam ido para o filme Lula, de Oliver Stone.

A coluna registra a desconfiança de que a gravação possa ter sido feita por agentes públicos, por alguém das várias bancas que defendem Vorcaro ou por uma visita que tenha driblado a segurança. Quando ele ainda estava na Polícia Federal, os advogados podiam entrar com computador e gravador para depoimento destinado à colaboração. O ICL Notícias diz ter confirmado com a PGR e a PF a suspeita de que o áudio foi produzido depois da prisão, e que investigadores usam como pista a menção ao filme Dark Horse e ao pedido de Flávio Bolsonaro, assunto que só ganhou publicidade depois que Vorcaro já estava preso.

O advogado Daniel Bialski confirmou que a voz é do cliente, disse que não sabe a data nem a circunstância e que o local da prisão não permite aparelho eletrônico. A Polícia Federal afirmou que ele não prestou depoimento com esse teor. O que a coluna traz, portanto, não é uma perícia do áudio. É a suspeita de procuradores de que a gravação saiu da Papudinha já com destino à eleição, a 16 dias do segundo turno.