O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, anunciou em 4 de novembro que saiu do país com a esposa e os três filhos e se declarou no exílio. A decisão veio um dia depois de a Fiscalia de La Paz emitir, em 3 de novembro, ordem de apreensão contra ele por suspeita de tráfico de substâncias controladas e organização criminal.

A resolução, assinada pelos fiscais Daniel Portales e Edwin Sarmiento, cita o artigo 48 da Lei 1008 e o artigo 132 bis do Código Penal. O Ministério Público argumenta risco de fuga e falta de arraigo. O fiscal-geral interino, José Armando Urioste, confirmou a validade da ordem e informou que o órgão pedirá à Interpol a emissão de alerta vermelho para busca internacional.

Saucedo, eleito em 2024 com mais de 70% dos votos em Santa Cruz, nega as acusações. Em publicação nas redes, afirmou que sua liberdade e a de sua família correm perigo e que o governo de Rodrigo Paz prepara provas fabricadas para desacreditá-lo. Ele disse que não renunciará ao cargo obtido pelo voto popular e que a Sala Plena do TSJ tem quórum para funcionar sem ele. A magistrada Rosmery Ruiz assumiu interinamente a presidência do tribunal, e Saucedo tem prazo de seis dias para se apresentar.

Autoridades bolivianas relacionam o caso a investigações anteriores contra o ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso em outubro sob acusações de organização criminal ligada ao narcotráfico. Relatos indicam que Saucedo pode ter saído por via terrestre, possivelmente em direção ao Brasil. Operações policiais em Santa Cruz resultaram na detenção de familiares do magistrado e na apreensão de materiais.

O episódio expõe a tensão entre o Poder Judiciário e o Executivo na Bolívia sob o governo de centro-direita de Rodrigo Paz. Enquanto a Fiscalia avança com o pedido de alerta vermelho e alertas migratórios, Saucedo mantém a versão de perseguição política. O caso permanece sob reserva por envolver testemunhas protegidas.