Registros da portaria do Planalto mostram que Daniel Vorcaro entrou no palácio no mesmo minuto que o lobista Júlio Cezar, acusado de cobrar propina para o grupo do ministro Alexandre Padilha. As entradas ocorreram em duas datas: às 14h33 de 1º de março e às 17h29 de 3 de abril de 2024. O material circula após afirmações de que o áudio de Vorcaro seria mentira. Segundo a delação que a PF e a PGR rejeitaram por falta de provas, o preço para o Banco Master entrar nos fundos de pensão do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios seria 10% de tudo que captasse, o que poderia chegar a R$ 1 bilhão em propina.

As mensagens no celular de Vorcaro batem com os registros da portaria. No dia da visita de abril, Júlio Cezar teria escrito que esperava no Postalis: “Tô aqui na sala esperando você. Pode subir”. Padilha classifica as acusações como farsa. O anexo da delação descreve que Júlio se apresentou como alguém com acesso direto ao gabinete de Padilha e estabeleceu contatos de Vorcaro com Olavo Noleto, então secretário-executivo, e com o próprio ministro.

Vorcaro também relatou um jantar em Brasília no qual integrantes do grupo, incluindo Padilha, estiveram presentes, e afirmou ter pago propina por negócios captados junto a um fundo de previdência ligado a um município de Goiás. O valor do negócio teria sido de R$ 60 milhões, com propina de R$ 6 milhões paga por meio de contrato forjado de prestação de serviços. A PF e a PGR rejeitaram a delação por falta de provas, enquanto os registros da portaria e as mensagens continuam circulando nas redes e na imprensa.