POLÍCIA DO DF FAZ BUSCAS NO BRB POR DESCONTOS ILEGAIS NA FOLHA DE SERVIDORES
Operação Juros Zero investiga esquema de descontos irregulares em contracheques de servidores do Distrito Federal, com alvos incluindo o banco estatal que já acumula rombo bilionário decorrente do escândalo do Banco Master.
A Polícia Civil do Distrito Federal, em conjunto com o Ministério Público, deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Juros Zero, realizando buscas no Banco de Brasília (BRB), na Secretaria de Economia do DF e em outras instituições por suspeita de descontos ilegais na folha de pagamento de servidores públicos. A investigação mira supostas irregularidades em operações de empréstimo consignado que teriam gerado cobranças indevidas disfarçadas de taxas.
O BRB, responsável pela operacionalização da folha, é um dos principais alvos. A ação ocorre em momento delicado para a instituição, que ainda lida com um rombo bilionário causado pelo caso Banco Master, onde fraudes envolvendo carteiras de crédito inexistentes levaram a perdas estimadas em bilhões de reais para o banco estatal. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso no âmbito das investigações do Master, também figura entre os alvos da nova operação.
ESQUEMA ENVOLVERIA PICPAY E DESCONTOS COMPULSÓRIOS
As apurações apontam para descontos compulsórios irregulares feitos pela fintech PicPay, com valores superiores a R$ 80 milhões retirados dos contracheques dos servidores entre 2024 e 2025. As taxas, que chegavam a equivaler a juros acima de 260% ao ano em alguns casos, seriam ocultadas sob rubricas como “taxas” em operações de adiantamento salarial. O MPDFT cumpre dezenas de mandados de busca em Brasília, São Paulo e Curitiba.
ROMBO BILIONÁRIO DO CASO MASTER PESO NO BRB

O BRB já enfrenta graves dificuldades financeiras decorrentes do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Fraudes identificadas pelo Banco Central envolveram a venda de carteiras de crédito fictícias ao banco estatal, gerando um rombo que pode superar os R$ 5 bilhões. O caso levou à liquidação do Master, prisão de envolvidos e forte desgaste para o BRB, que precisou provisionar bilhões para cobrir as perdas. A nova investigação sobre a folha de servidores adiciona mais pressão sobre a instituição pública.
A direita conservadora e o bolsonarismo observam com preocupação o envolvimento repetido do BRB em escândalos sob gestões ligadas ao governo local, vendo nisso mais um exemplo de má gestão de recursos públicos que prejudica servidores e contribuintes. A falta de transparência e controle reforça críticas ao ativismo estatal sem accountability.
REAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES
A Secretaria de Economia do DF afirmou que as buscas referem-se a fatos de gestões anteriores e que colabora com as autoridades. O BRB também se posicionou como colaborador, destacando que não possui contrato direto com a PicPay no contexto investigado. O caso segue em apuração, com foco em possíveis fraudes contra servidores.

