Nesta segunda, a Jovem Pan publicou a leitura de Fábio Piperno sobre o segundo turno, na qual ele diz que parte do eleitorado já aderiu ao voto útil a favor de Flávio Bolsonaro, que Lula pode perder voto por causa da abstenção, sobretudo entre eleitores mais velhos e de baixa renda, e que essas duas variáveis tornam a eleição de 25 de outubro mais difícil de prever.

O tamanho do que ainda está fora das duas candidaturas explica o alerta, porque a apuração fechou com Flávio em 56.104.503 votos, 47,03%, e Lula em 53.879.538, 45,16%, uma diferença de 2.224.965 votos, enquanto os demais candidatos somaram 9.316.747 votos, 7,81%, com Augusto Cury em 3.448.569 e Renan Santos em 2.675.887, um bloco maior do que a vantagem de Flávio e que, na conta de Piperno, já começou a migrar antes mesmo do segundo turno.

A abstenção é um contingente ainda maior, de 33.469.244 eleitores, 21,08% do eleitorado apto, o maior porcentual num primeiro turno desde 1998, mais de quinze vezes a diferença entre Flávio e Lula, além de 2.300.798 votos em branco e 3.674.249 nulos, e o próprio Lula, depois do resultado, disse que vai buscar quem ficou em casa, justamente o grupo que Piperno trata como o ponto em que o petista pode perder força se o eleitor mais velho e o de menor renda repetir a ausência.