A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contra a suspensão da Lei da Dosimetria, norma que altera regras de cálculo de penas e progressão de regime e poderia reduzir as condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo eventuais benefícios ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O parecer foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

PARECER DEFENDE COMPETÊNCIA DO LEGISLATIVO

O subprocurador Paulo Gonet, em nome da PGR, argumentou que não há elementos suficientes para suspender imediatamente a norma aprovada pelo Congresso. Segundo o parecer, a definição de penas é matéria de conformação legislativa, e o Judiciário não deve interferir de forma precipitada nas decisões do Parlamento.

Gonet responde a quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) movidas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e por partidos de esquerda: PSOL, Rede, PDT e PT. O documento recomenda o indeferimento das medidas cautelares, mantendo a lei em vigor até o julgamento do mérito.

INTERFERÊNCIA DE ALEXANDRE DE MORAES

Em maio, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da lei um dia após sua promulgação, alegando necessidade de análise prévia. A decisão foi criticada por juristas conservadores como exemplo de ativismo judicial, que invade competências exclusivas do Legislativo.

REAÇÃO NO CAMPO CONSERVADOR

Para a direita e bolsonaristas, o posicionamento da PGR representa um freio importante ao excesso de poder concentrado no STF, especialmente nas mãos de Moraes. A lei da dosimetria busca maior proporcionalidade nas penas, combatendo o que muitos veem como rigor excessivo e seletivo em processos políticos.

O episódio reforça a narrativa de que o Judiciário, sob influência de ministros como Moraes, atua para manter condenações duras contra opositores do governo Lula, enquanto o Congresso tenta restabelecer equilíbrio.