A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (4 de agosto de 2026) uma nova fase da Operação Sem Desconto e cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Entre os alvos estão o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, e o advogado Willer Tomaz.

NOVA FASE FOCA EM SUSPEITAS DE LAVAGEM DE RECURSOS

Segundo a Polícia Federal, as investigações avançaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie. O objetivo, de acordo com os investigadores, seria ocultar a origem e a destinação dos recursos provenientes das fraudes no INSS. Reportagens de veículos como GloboNews, Estadão, Metrópoles e SBT News confirmam o cumprimento dos mandados nesta manhã.

A operação busca reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a origem e o destino dos valores, bem como a participação individual de cada investigado. Em um dos endereços, agentes apreenderam uma máquina de contar dinheiro, equipamento que, segundo relato de agente da PF a uma repórter, não é comum em residências e estaria relacionado à contagem de valores em espécie no âmbito das suspeitas de lavagem.

SENADOR DO PDT JÁ HAVIA SIDO ALVO EM FASE ANTERIOR

Weverton Rocha, do PDT e aliado do governo Lula, já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em dezembro de 2025, em outra fase da mesma operação. Na ocasião, a PF o apontou, em representação ao STF, como possível “liderança política”, “sustentáculo” e “sócio oculto” do esquema envolvendo o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O ministro André Mendonça autorizou as buscas, mas negou pedido de prisão do senador naquela etapa. Weverton negou qualquer envolvimento e se colocou à disposição para esclarecimentos.

Nesta nova fase, a ação atinge também familiares do parlamentar e o advogado Willer Tomaz, conhecido no meio político por relações com diversos parlamentares. O advogado já foi preso em 2017 no âmbito de investigações ligadas à Operação Lava Jato e ao caso JBS. A PF informa que as apurações continuarão para mapear a origem e a destinação dos recursos.

ESQUEMA DE DESCONTOS INDEVIDOS JÁ MOVIMENTOU BILHÕES

A Operação Sem Desconto investiga descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, esquema que, segundo estimativas anteriores da própria PF e da Controladoria-Geral da União, pode ter gerado prejuízo superior a R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024. Os valores eram descontados de beneficiários por associações e, segundo a investigação, desviados por meio de empresas e intermediários.

A nova fase concentra esforços na suspeita de lavagem desses recursos. Até o momento da publicação, a defesa do senador Weverton Rocha e do advogado Willer Tomaz ainda não haviam se manifestado publicamente sobre os mandados cumpridos nesta terça-feira. A Polícia Federal segue com as diligências.