PF ACUSA CPMI DO INSS DE DRIBLE PARA ACESSAR DADOS EXCLUÍDOS
Investigadores apontam que cúpula da comissão buscou arquivos íntimos de Daniel Vorcaro diretamente na Apple, contornando filtro da Polícia Federal e gerando crise institucional.
A Polícia Federal (PF) identificou o que classifica como um "drible" da presidência da CPMI do INSS para acessar dados privados do banqueiro Daniel Vorcaro em 19 de março de 2026. Segundo os investigadores, o colegiado solicitou diretamente à empresa Apple arquivos que haviam sido previamente excluídos pela PF por não terem pertinência com a investigação. De acordo com reportagem da CNN Brasil, os delegados afirmam que a reintrodução desses dados no ambiente do Senado Federal comprometeu a segurança das informações sigilosas.
O CONFLITO ENTRE A POLÍCIA FEDERAL E A PRESIDÊNCIA DA CPMI
A crise entre as instituições se agravou após a constatação de que dados íntimos do investigado foram expostos. Conforme informações divulgadas pela repórter Carol Rosito, a Polícia Federal afirmou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que a CPMI baixou informações da nuvem sem o filtro oficial. "A Apple transferiu isso rapidamente e teria trazido de volta para dentro da sala cofre todas as informações sem o filtro da Polícia Federal", explicou Rosito, destacando que conversas privadas de Vorcaro com sua ex-noiva acabaram vazando.

A DEFESA DO COLEGIADO E A RESPOSTA DE VIANA
O presidente da CPMI, senador Jorge Viana, reagiu duramente às acusações, defendendo a autonomia do Poder Legislativo nas apurações. Segundo os parlamentares, a demora da PF em realizar a filtragem dos dados motivou a solicitação direta à gigante de tecnologia, baseando-se no regimento interno do colegiado. Viana acusou a Polícia Federal de tentar manipular ou interferir no direito de investigação do Congresso Nacional. O clima de desconfiança mútua levou o ministro André Mendonça a lacrar novamente a sala cofre onde os dispositivos estão armazenados.

CONVOCAÇÕES E O FUTURO DO BANCO CENTRAL NA MIRA
Em meio ao embate judicial, a CPMI aprovou convites para ouvir figuras centrais do cenário financeiro brasileiro. Foram aprovados os depoimentos de Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, e de Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição. A intenção é que ambos prestem esclarecimentos sobre a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master. A votação foi simbólica e contou com o apoio tanto da base governista quanto da oposição, refletindo a gravidade das suspeitas levantadas pelo colegiado sobre o mercado financeiro.
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PRAZOS EXÍGUOS E O RISCO DE ENCERRAMENTO SEM RELATÓRIO
O funcionamento da CPMI do INSS corre contra o tempo, com data de encerramento prevista para o próximo dia 28 de março. Até o momento não há confirmação oficial desta informação sobre a prorrogação dos trabalhos, o que coloca em dúvida a realização das oitivas de Galípolo e Campos Neto. Caso não haja extensão do prazo, o cronograma prevê o depoimento de Marta Graef na segunda-feira, seguido pela apresentação do relatório final entre terça e quarta-feira, com a votação definitiva marcada para o último dia de atividade oficial.

IMPLICAÇÕES DA PERSEGUIÇÃO JUDICIAL E POLÍTICA
O episódio reforça as críticas sobre o uso de instituições de estado para pressionar figuras do setor privado e adversários políticos. Enquanto a direita denuncia abusos e vazamentos de questões íntimas que não possuem relação com o objeto da investigação, a cúpula da CPMI tenta manter o protagonismo político. A decisão final de André Mendonça sobre a devolução da sala cofre e o acesso aos dados será determinante para o desfecho desta investigação, que já nasce sob a sombra da contaminação de provas e disputas de poder.
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