Em discurso recente durante encontro público em Antioquia, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que o governo de Donald Trump estaria exercendo pressão, via Departamento de Estado, sobre Delcy Rodríguez, presidenta encarregada da Venezuela, para avançar com a dolarização da economia. “Estão dizendo a Delcy, à presidenta interina, que ela deve dolarizar e converter o dólar na moeda oficial”, declarou Petro.

Petro complementou que medidas semelhantes foram aplicadas no Equador e que já haviam sido propostas para a Colômbia, o que, em sua visão, representaria o fim da soberania monetária. “Já fizeram isso no Equador, e só falta a Colômbia, o mesmo propuseram aqui. Acaba a soberania monetária deste país precisamente quando o dólar... Digo, o peso é mais forte que o dólar”, disse o mandatário colombiano.

DEL CY RODRÍGUEZ ASSUME EM CONTEXTO DE INTERVENÇÃO AMERICANA

Delcy Rodríguez, ex-vicepresidenta de Nicolás Maduro, assumiu como presidenta encarregada da Venezuela em 5 de janeiro de 2026, após a captura de Maduro por forças americanas. Desde então, seu governo tem mantido estreita cooperação com a administração Trump, incluindo acordos para venda de petróleo, injeção controlada de dólares na economia e reformas no setor energético que facilitam a participação de empresas americanas.

Não há confirmação pública de exigência explícita de dolarização formal por parte dos EUA. A economia venezuelana já opera de forma altamente dolarizada informalmente há anos devido à hiperinflação e ao colapso do bolívar. Os acordos recentes envolvem controle americano sobre receitas petrolíferas e depósitos em contas supervisionadas, com transferências parciais para o governo de Rodríguez (ex.: US$ 300 milhões anunciados).

A EXPERIÊNCIA DO EQUADOR E SEUS RESULTADOS REAIS

O Equador adotou o dólar oficialmente em 2000 para conter hiperinflação. Os resultados incluem estabilização de preços (inflação média caiu de cerca de 40% para 3,2% ao ano), maior previsibilidade, atração de investimentos e crescimento médio superior ao período anterior. No entanto, o país perdeu autonomia monetária, paga seigniorage aos EUA e depende da política monetária americana, o que limita respostas a choques externos.

A VISÃO DA DIREITA E DOS BOLSONARISTAS SOBRE PETRO

Para a direita brasileira e setores bolsonaristas, Gustavo Petro representa a continuação de políticas de esquerda que enfraquecem economias e alinhamentos estratégicos com os EUA. Sua defesa da “soberania monetária” venezuelana é vista como retórica ideológica que ignora o fracasso do chavismo, responsável por décadas de miséria, corrupção e autoritarismo. Críticos apontam que Petro, alinhado historicamente a governos de esquerda na região, resiste a modelos de estabilidade como a dolarização, que trouxeram benefícios concretos ao Equador, priorizando narrativas antiamericanas.

CONTRADIÇÕES E IMPACTOS DA DECLARAÇÃO DE PETRO

A fala de Petro ocorre em um momento de forte influência americana na Venezuela, mas sem evidências diretas de imposição de dolarização plena. Enquanto isso, a Colômbia mantém o peso como moeda soberana, com debates internos sobre dolarização sendo rechaçados pelo próprio governo como perda de autonomia. A posição de Petro reforça sua oposição ao governo Trump, já marcada por tensões anteriores sobre narcotráfico e intervenções.

REAÇÕES E CONTEXTO REGIONAL

A declaração reforça o posicionamento anti-imperialista de Petro, mas expõe contradições: a Venezuela sob Rodríguez tem aceitado supervisão americana sobre petróleo para obter liquidez, enquanto o discurso petrista enfatiza soberania. A direita regional vê nisso mais uma tentativa de esquerda de preservar modelos falidos, mesmo diante da necessidade urgente de estabilização econômica na Venezuela.