A defesa de Daniel Vorcaro apresentou nesta quinta-feira (29) ao STF um relatório técnico que aponta inconsistências nos registros de um celular apreendido pela Polícia Federal e considerado peça central da Operação Compliance Zero, segundo o Portal R7.

Segundo os advogados, a análise identificou alterações em arquivos durante o período em que o aparelho estava sob custódia do Estado e questionou a possibilidade de verificar a integridade do material extraído. A manifestação foi apresentada no âmbito do Inquérito 5.026/DF e tem como base uma análise preliminar conduzida pelo perito Marcos Monteiro, da empresa MM Forense.

De acordo com a nota da defesa, o relatório oficial da Polícia Federal registra atividades no aparelho entre a noite de 17 de novembro e a madrugada de 18 de novembro de 2025, quando o celular já havia sido apreendido. Nesse intervalo, teriam ocorrido 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal e três conexões pela porta USB. O banco de dados do WhatsApp foi modificado seis segundos após uma dessas conexões.

Essas inconsistências abrem caminho para que se questione a autenticidade dos conteúdos atribuídos a Vorcaro e usados em reportagens e investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A falta de dados brutos e de registros completos da cadeia de custódia impede verificar a integridade do material, o que pode ser usado como argumento para inocentar Moraes e sustentar que tudo que constava nos documentos divulgados seria falso ou adulterado.