O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise provocada pelo fechamento do banco digital Ueno. A instituição, da qual Peña foi acionista até março de 2025, deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro após intervenção do Banco Central paraguaio.

A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura de processo de impeachment contra Peña, mesmo após a renúncia, e rejeitou o pedido contra o vice-presidente Pedro Alliana. Alliana deve assumir a Presidência e completar o mandato até agosto de 2028.

Peña, do Partido Colorado e alinhado a Donald Trump, justificou a saída pela estabilidade do país e pediu desculpas ao povo. A crise também envolveu disputa interna na legenda e problemas no sistema bancário que ampliaram a insatisfação popular.

O Palácio do Planalto acompanha a situação com atenção. A principal preocupação é que o governo de Alliana garanta estabilidade política e social e evite manifestações violentas. O Brasil não tinha interesse na saída de Peña, que mantinha boa relação com Lula apesar do alinhamento com Trump.

Auxiliares do governo Lula avaliam a renúncia como revés para a direita alinhada a Trump na América Latina, após a reeleição do petista e resultados das eleições de meio de mandato nos EUA. Ao mesmo tempo, temem reflexos na fronteira porosa com o Paraguai, na comunidade brasileira no país vizinho e na parceria de Itaipu.

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