PATRIMÔNIO DE JAQUES WAGNER CRESCE MAIS DE 630% EM OITO ANOS E CHEGA A R$ 24,5 MILHÕES
Senador do PT, alvo de investigação da Polícia Federal no caso Banco Master, declarou à Justiça Eleitoral bens que saltaram de R$ 3,3 milhões em 2018 para R$ 24,5 milhões em 2026. Principal item é crédito de R$ 13,8 milhões pela venda de um terreno.
O patrimônio declarado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) à Justiça Eleitoral aumentou mais de 630% em oito anos. Em 2018, quando se candidatou ao Senado, o petista informou bens no valor de R$ 3,3 milhões. Neste ano, ao registrar a candidatura à reeleição, declarou R$ 24,5 milhões. A diferença chega a cerca de R$ 21,1 milhões.
CRÉDITO DE VENDA DE TERRENO CONCENTRA MAIOR PARTE DO AUMENTO
A maior parcela do patrimônio atual está concentrada em um crédito de R$ 13,8 milhões decorrente da venda de um terreno ao Esporte Clube Bahia (SAF) e à empresa Lagoons Empreendimentos. Em 2018, o mesmo imóvel havia sido declarado por R$ 28 mil. Documentos apontam que o terreno, localizado em Camaçari (BA), foi adquirido por Wagner em 2000 por esse valor.
A transferência da propriedade foi suspensa por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão ocorreu após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão em endereços do senador, em junho de 2026.
APLICAÇÕES FINANCEIRAS E OUTROS BENS TAMBÉM CRESCERAM
As aplicações financeiras, investimentos e contas bancárias passaram de cerca de R$ 1,2 milhão em 2018 para aproximadamente R$ 8,3 milhões na declaração atual. Wagner informou ainda um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 1,6 milhão, 50% de um sítio em Andaraí (BA) e veículos, entre eles modelos de 2023.
Durante as buscas da PF em junho, agentes apreenderam valores em espécie (dólares e euros) em endereços ligados ao senador. Esses recursos em dinheiro vivo não constam da declaração de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral.
SENADOR É ALVO DE INVESTIGAÇÃO NO CASO BANCO MASTER
Jaques Wagner é um dos alvos da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas ligadas a empresários e gestores do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o parlamentar teria recebido benefícios, direta ou indiretamente, por meio de familiares e estruturas societárias. A investigação cita, entre outros pontos, tratativas envolvendo imóvel e pagamentos.
O senador deixou a liderança do governo Lula no Senado após se tornar alvo da operação. Ele nega irregularidades e afirma que prestará todos os esclarecimentos. Até o momento da publicação desta matéria, não havia se manifestado publicamente sobre a evolução patrimonial declarada ao TSE.

