PASTORA LILI CARABINA DESAFIA PROIBIÇÃO DE MORAES E ORA EM FRENTE À RESIDÊNCIA DE BOLSONARO
Apesar da decisão de Alexandre de Moraes que veda vigílias e aglomerações num raio de 1 km da residência onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, a pastora Lili Carabina, conhecida apoiadora do ex-presidente, realizou manifestação com orações e bandeiras do Brasil e de Israel nesta segunda-feira (22). O episódio ocorre dias antes do fim dos 90 dias da medida cautelar.
A pastora Lili Carabina, figura conhecida pelas vigílias em apoio a Jair Bolsonaro em frente a hospitais em Brasília, parou em frente ao condomínio no Jardim Botânico, onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária, e realizou orações com bandeiras do Brasil e de Israel amarradas ao corpo. A manifestação ocorreu por volta das 18h desta segunda-feira (22/6), sem interferência imediata da polícia, mesmo com a proibição expressa do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 24 de março, Moraes concedeu a prisão domiciliar a Bolsonaro com medidas restritivas rigorosas, incluindo a vedação expressa de acampamentos, vigílias ou qualquer forma de aglomeração num raio de 1 km da residência. A justificativa do ministro foi evitar “tumultos” e “coações à Suprema Corte”, garantindo o cumprimento das cautelares. A decisão será reavaliada em breve, ao fim dos 90 dias.
MANIFESTAÇÃO PACÍFICA OU VIOLAÇÃO DE ORDEM JUDICIAL?
Lili Carabina é uma apoiadora bolsonarista ativa, conhecida por atos de fé e oração pública em momentos de dificuldade do ex-presidente. Sua ação desta segunda foi descrita como manifestação religiosa individual, com orações, e durou cerca de 40 minutos sem registro de tumulto ou grande aglomeração. No entanto, a decisão de Moraes é clara ao proibir esse tipo de atividade no local, enquadrando-a como potencial descumprimento de medida cautelar.
O QUE PODE ACONTECER COM A PASTORA
Do ponto de vista jurídico, a pastora pode enfrentar:
- Notificação ou intimação pela suposta violação da decisão de Moraes;
- Representação por desobediência (art. 330 do Código Penal), crime que pode resultar em detenção de 15 dias a 6 meses, ou multa;
- Inclusão em inquérito já existente no STF relacionado a atos de apoio a Bolsonaro, especialmente se Moraes interpretar a ação como tentativa de coagir o tribunal ou violar as restrições impostas;
- Medidas administrativas, como multa ou proibição temporária de aproximar-se do local.
Até o momento, não há registro de prisão ou abordagem policial imediata, o que sugere que a manifestação foi tratada como pontual. No entanto, o histórico de rigor de Moraes em casos envolvendo apoiadores bolsonaristas indica risco concreto de represália judicial.
REAÇÃO DA DIREITA E DOS BOLSONARISTAS
Para a direita conservadora e bolsonaristas, o episódio reforça a percepção de perseguição política e cerceamento à liberdade de expressão e manifestação religiosa. Orar em público por um líder político não configura crime grave em uma democracia, mas o ativismo judicial de Moraes transforma atos pacíficos em ameaças à “ordem”. A decisão do ministro é vista como desproporcional, especialmente quando comparada à leniência em relação a outros protestos ou acampamentos de grupos alinhados à esquerda.
CONTEXTO E POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS
A manifestação acontece em momento sensível: dias antes da reavaliação da prisão domiciliar de Bolsonaro. Críticos apontam que o caso pode ser usado para justificar o endurecimento das medidas contra o ex-presidente ou para ampliar o cerco a seus apoiadores. A ausência de tumulto real expõe a contradição: a proibição visa supostamente “garantir a ordem”, mas criminaliza atos individuais de fé e apoio.
A linha editorial conservadora do Editorial Central defende que a liberdade de expressão, a manifestação pacífica e a liberdade religiosa são pilares da democracia e não podem ser suprimidas por decisões monocráticas que extrapolam os limites da lei. Casos como esse alimentam o sentimento de que o STF age mais como parte interessada do que como guardião imparcial da Constituição.

