OPERAÇÃO DA PF CONTRA CLÁUDIO CASTRO REVELA POR QUE O STF QUER ENTERRAR A CPI DO MASTER
Ação autorizada por André Mendonça mira desvios de 3 bilhões de reais e expõe a rede de proteção montada pela cúpula do Judiciário para abafar o caso.
A Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Compliance Zero, tendo como alvo principal de busca e apreensão o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A ofensiva, desencadeada nesta terça-feira, dia 26 de maio, investiga fraudes financeiras bilionárias envolvendo aportes de recursos públicos no Banco Master. De acordo com as investigações, cerca de 3 bilhões de reais foram retirados do fundo do Rio Previdência — responsável pelo sustento de mais de 230 mil aposentados e pensionistas fluminenses — e direcionados de forma suspeita para o conglomerado financeiro comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O caso, que tramita sob forte sigilo, joga luz sobre os motivos reais que levam ministros da alta cúpula do Supremo Tribunal Federal a se articularem nos bastidores do Congresso para enterrar a instalação de uma CPI sobre a mesma instituição financeira.
O DESESPERO PARA ABAFAR A INVESTIGAÇÃO PARLAMENTAR
Os mandados judiciais cumpridos na residência de Cláudio Castro foram autorizados pelo ministro André Mendonça, fato que acelerou a crise nos bastidores do Judiciário. A revelação de que o esquema com o Banco Master envolve cifras estratosféricas explica a pressão ostensiva exercida por ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para barrar a criação da CPI do Master. Informações de bastidores colhidas pela imprensa indicam que o maior temor dos magistrados é a quebra de sigilos bancários e a convocação de familiares de membros do próprio tribunal, uma vez que escritórios de advocacia ligados a parentes de ministros possuem contratos milionários com o banco investigado.
O SISTEMA SE ORGANIZA CONTRA A FISCALIZAÇÃO
A operação da Polícia Federal mostra que os tentáculos das fraudes no Banco Master alcançam diferentes esferas do poder público e cruzam interesses partidários e regionais. Enquanto a PF avança na apuração documental dos desvios que sangraram a previdência dos servidores públicos estaduais, a oposição no Congresso Nacional denuncia o fechamento de um pacto de silêncio entre o topo do Judiciário e o comando do Legislativo para blindar o sistema. A tentativa de abafar a comissão parlamentar sob o pretexto de preservar a estabilidade institucional cai por terra diante do tamanho do rombo financeiro descoberto, deixando evidente para o cidadão comum que a blindagem política serve unicamente para impedir que os verdadeiros beneficiários do esquema sejam expostos e responsabilizados.

