MORO DEFENDE ANISTIA E QUESTIONA COMPETÊNCIA DO STF EM ENTREVISTA
Em declaração forte, o senador Sergio Moro critica penas exorbitantes contra manifestantes e aponta falta de atos de execução em suposta trama golpista do 8 de janeiro.
O senador Sergio Moro (União-PR) defendeu publicamente, nesta terça-feira (31), a concessão de indulto e anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A declaração ocorreu durante entrevista ao canal Veja +, onde o parlamentar questionou duramente a validade jurídica das sentenças impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra cidadãos sem foro privilegiado.
STF TEM COMPETÊNCIA PARA JULGAR OS MANIFESTANTES DO 8 DE JANEIRO?
De acordo com Sergio Moro, a Suprema Corte não possui competência jurisdicional para julgar manifestantes ou até mesmo ex-presidentes em processos dessa natureza, o que configuraria um erro processual grave. O senador afirmou ao apresentador Paulino que "infelizmente aí houve muitos erros que eu apontei na época", referindo-se à centralização das ações e ao rito que ignorou instâncias inferiores.

HOUVE EXECUÇÃO DE GOLPE DE ESTADO NO BRASIL SEGUNDO MORO?
O ex-juiz federal sustenta que não existem evidências de atos claros de execução de um golpe de Estado, mas sim o que o Direito classifica como cogitação, o que não é punível criminalmente. "Eu não vi sinceramente ali atos claros de execução de um golpe", declarou Moro, reforçando que a dúvida jurídica sobre se "houve de fato uma tentativa de golpe" deve sempre favorecer a defesa.
Durante o diálogo, o apresentador Paulino questionou: "O senhor é a favor do indulto ao presidente Bolsonaro e os demais condenados?". Moro respondeu positivamente, enfatizando que o momento de anistia já está presente e é necessário para corrigir o que chamou de "crueldade" contra manifestantes condenados a penas que chegam a 16 anos de prisão.
Sobre a suposta declaração de Flávio Bolsonaro mencionada pelo entrevistador de que "terá que usar a força" caso o STF não confirme o indulto, Moro foi categórico em sua resposta ao afirmar que "não ouvi essas frases do Flávio". O senador descreveu o colega parlamentar como alguém que demonstrou "serenidade e ponderação" nos últimos anos, rebatendo insinuações de radicalismo.
QUAIS SÃO AS IMPLICAÇÕES DAS SENTENÇAS EXORBITANTES NA JUSTIÇA?
As penas aplicadas, como os 14 anos de prisão para a manifestante citada no vídeo como "Débora do Batom", foram classificadas por Moro como um "absurdo" jurídico e moral. O senador destacou que conhece pessoas simples no Paraná condenadas severamente, o que demonstra algo "descompensado" e uma nítida falta de proporcionalidade nas decisões proferidas pela cúpula do Judiciário.
A defesa da anistia surge como uma resposta institucional à perseguição judicial relatada por setores da direita brasileira. Para o parlamentar, o restabelecimento da ordem jurídica depende do reconhecimento de que os atos não passaram de manifestações, ainda que desproporcionais, sem a configuração técnica de um crime de derrubada do regime democrático.
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