O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta segunda-feira (22/6) ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedido para que decida sobre a relatoria de uma notícia-crime apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). O caso envolve possível conexão entre o financiamento do filme “Dark Horse” (cinebiografia de Jair Bolsonaro), negociado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e a “atuação internacional” do ex-deputado Eduardo Bolsonaro na campanha por sanções contra autoridades brasileiras.

A manifestação ocorreu após a Procuradoria-Geral da República (PGR) posicionar-se pela redistribuição do caso ao ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master na Operação Compliance Zero.

PGR DEFENDE PREVENÇÃO COM MENDONÇA

Em manifestação na sexta-feira (19), a PGR argumentou que o episódio já tramita sob relatoria de Mendonça nos autos relacionados ao Banco Master. O órgão titular da ação penal defendeu a redistribuição por prevenção, evitando duplicidade de investigações sobre o mesmo núcleo de fatos.

CONTEXTO DO FILME DARK HORSE E NEGOCIAÇÕES COM VORCARO

O longa “Dark Horse”, com estreia prevista para 2026 e estrelado por Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro, tornou-se central no escândalo do Master após revelações de que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro valores estimados em até R$ 134 milhões para financiar a produção. Mensagens e áudios mostram cobranças diretas do senador por parcelas atrasadas. Flávio admitiu os contatos, mas classificou como busca por patrocínio privado legítimo, negando qualquer favorecimento ou irregularidade.

A notícia-crime de Lindbergh Farias busca ampliar apuração sobre eventual uso desses recursos em atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior, incluindo pressão por sanções contra autoridades brasileiras.

DISPUTA POR RELATORIA E TENSÕES NO STF

O movimento de Moraes ocorre em meio a questionamentos sobre sua imparcialidade em temas ligados ao Master, inclusive com pedido de suspeição protocolado pela defesa de Flávio. A defesa bolsonarista argumenta que o caso deve ficar com Mendonça, que tem conduzido as fases da Compliance Zero com rigor.

VISÃO DA DIREITA E DOS BOLSONARISTAS

Para a direita e o bolsonarismo, a tentativa de Moraes de manter ou influenciar a relatoria reforça o padrão de instrumentalização do STF contra opositores políticos, enquanto aliados do governo recebem tratamento mais brando ou tardio. O caso expõe contradições: o mesmo sistema que persegue adversários agora vê suas próprias relações financeiras questionadas, mas com maior resistência interna à transparência plena.

ENCERRAMENTO

A decisão final de Fachin sobre a relatoria será acompanhada com atenção, pois pode definir o rumo das investigações que conectam o financiamento cultural privado ao universo das fraudes bilionárias do Banco Master.