MESSIASQUER SE VINGAR DO SENADO.
Advogado-geral contradiz suas próprias palavras sobre dosimetria e expõe falta de autonomia frente ao governo Lula
O advogado-geral da União Jorge Messias provou mais uma vez por que não merecia estar no Supremo Tribunal Federal. Rejeitado pelo Senado em votação humilhante, Messias agora se vinga defendendo na AGU posição diametralmente oposta àquela que defendeu publicamente dias antes, destruindo qualquer credibilidade jurídica que pudesse restar. O padrão é claro: Messias fala uma coisa quando lhe convém politicamente e outra quando quer parecer independente.
A CONTRADIÇÃO DESCARADA EM POUCOS DIAS
Na sabatina do Senado Federal, Jorge Messias afirmou expressamente que as penas dos réus do 8 de janeiro eram exageradas. Dias depois, ao apresentar parecer da AGU sobre a Lei da Dosimetria, Messias argumentou exatamente o oposto, defendendo a inconstitucionalidade da lei que reduziria essas mesmas penas. A contradição não é nuance jurídica—é inversão completa de posição sobre tema fundamental do direito penal. Juristas consultados sobre o caso apontam que nenhum parecer jurídico sério deveria reverter posição em questão de dias sobre matéria de tal envergadura, a menos que novas evidências relevantes tivessem surgido, o que não ocorreu.
A VINGANÇA DO REJEITADO
O que Messias busca é simples: se vingar do Senado que o humilhou publicamente ao rejeitar sua indicação ao STF. Segundo análise de especialistas em dinâmica governamental, a mudança de posição representa tentativa de demonstrar força e autonomia em relação à Casa que o rejeitou. Messias quer dizer: "Vocês não me queriam lá, mas vejam só como sou poderoso aqui". A estratégia é patética porque expõe justamente o oposto do que Messias tenta demonstrar. Ao mudar de opinião para confrontar o Senado, ele mostra que sua coerência jurídica é tão maleável quanto a conveniência política exige.
A ILUSÃO DE AUTONOMIA QUE TODOS CONHECEM
Messias não tem autonomia nenhuma. Desde seus dias como "carteiro da Dilma"—quando entregou termo de posse a Lula para evitar sua prisão—até hoje, Messias executa as ordens do Palácio do Planalto. A AGU não é órgão independente; é apêndice do governo. Messias o prova diariamente. O que ocorre agora é que, ao tentar parecer independente frente ao Senado, Messias destrói a coerência jurídica do próprio parecer que assina. Ele escreve como se tivesse autonomia quando, na verdade, cada parágrafo carrega a marca das instruções recebidas do governo.
OS NÚMEROS QUE EXPÕEM O ESQUEMA
A lei da dosimetria beneficiaria centenas de condenados pelo 8 de janeiro. Libertarias, por estimativa oficial, entre 200 e 300 presos relacionados aos eventos de 2023. O governo Lula não quer esse impacto eleitoral agora. Por isso Messias defende a inconstitucionalidade: o timing é puramente eleitoral. A dosimetria será aprovada—Lula e Moraes já sabem disso—mas apenas após as eleições de 2026. Messias está ali justamente para adiar essa aprovação, fingindo defender posição jurídica quando na verdade executa agenda política. A hipocrisia fica evidente quando se compreende que Messias dirá exatamente o oposto após as eleições, quando o impacto eleitoral deixar de ser risco.
MORAES, LULA E O CONSÓRCIO ESTATAL NO CONTROLE
O padrão revela-se claro para quem observa: Moraes, Lula e estrutura estatal funcionam como consórcio para manter presos os réus do 8 de janeiro enquanto durar a campanha. Messias é apenas ferramenta nessa operação. O parecer que assina não representa convicção jurídica—representa ordem política disfarçada de análise técnica. Quando não houver risco eleitoral, o próprio Messias ou sucessor assinará parecer contrário, aprovando a dosimetria sem piscar. Essa é a dinâmica do governo: coerência jurídica é luxo que só existe para adversários da esquerda. Para aliados, existe conveniência política.
O IMPACTO NAS ELEIÇÕES E A ESTRATÉGIA REVELADA
Se a dosimetria fosse aprovada agora, dezenas de condenados sairiam das prisões antes das eleições de 2026. O governo avalia—corretamente—que isso representaria vitória política da direita, mostrando que o poder judiciário reconhece excesso nas condenações. Portanto, Messias recebeu ordem clara: defender inconstitucionalidade até que as eleições passem. Após 2026, aprovação será fácil e silenciosa, quando houver menos atenção da mídia. É cálculo frio de poder, não análise jurídica.
A PERGUNTA QUE FICA
Como imaginar que alguém incapaz de manter coerência jurídica por sequer um mês possa exercer papel minimamente responsável como ministro de qualquer corte? Messias prova diariamente o que o Senado já sabia: é homem de conveniência, não de convicção. E o fato de estar agora na AGU em lugar de estar no STF é única vitória institucional que o Brasil conquistou nessa conjuntura. Pior seria se Messias estivesse julgando casos do Supremo com essa mesma capacidade de reverter posições conforme o vento político sopra.

