MENDONÇA MANDA RELATÓRIO DA PF AO PLENÁRIO DO STF APESAR DE PEDIDO DE NULIDADE DA PGR
Paulo Gonet afirmou que o ministro já sabia que a ordem à polícia alcançaria Alexandre de Moraes e pediu o encerramento da petição.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu na noite de terça-feira (1º/9) que o Supremo anule a investigação da Polícia Federal determinada pelo ministro André Mendonça. Segundo Gonet, Mendonça já sabia que a ordem de 24 de agosto de 2026, para identificar a suposta rede de influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, levaria à apuração sobre o colega Alexandre de Moraes.
A PGR afirmou que Moraes já aparecia em relatórios anteriores, que o relator pediu o aparelho com os dados depois analisados pela PF e que o relatório tem 218 páginas, das quais cerca de 188 tratam do ministro. Para Gonet, só o plenário do STF — a reunião de todos os ministros — pode autorizar investigação contra um integrante da Corte, e um juiz não pode, por conta própria, mandar a polícia mirar pessoas específicas. Por isso falou em “dupla nulidade” e pediu o fim da petição. O próprio procurador-geral também é citado no material da PF, extraído do celular de Vorcaro na Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas ao Banco Master.
Mendonça fez o movimento contrário: retirou o sigilo da Petição 16.662 e escreveu que, independentemente da posição da PGR, o “caminho inevitável” é o plenário, em sessão presencial e pública. Cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, marcar a data. O relatório aponta mensagens de Vorcaro a um número atribuído a Moraes; não há condenação nem denúncia formal. O Supremo vai decidir se anula a apuração, como pede a PGR, ou analisa o conteúdo em público.

