Mendonça contesta Moraes e afirma que Lulinha era alvo de medidas da PF
Manifestação enviada a Fachin aponta contradição em relatório usado contra o ministro e pede apuração de possíveis irregularidades
O ministro André Mendonça apresentou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, uma manifestação em que contesta as acusações feitas por Alexandre de Moraes contra sua atuação. Segundo Mendonça, documentos da própria Polícia Federal mostram que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, figurava entre os alvos de medidas requeridas na Operação Sem Desconto, investigação sobre fraudes no INSS.
A informação é usada pelo ministro para questionar um relatório de inteligência que classificava Lulinha como “terceiro não investigado”. Mendonça afirmou que essa descrição não corresponde ao conteúdo dos autos e que as representações policiais foram distribuídas em processos diferentes conforme o tipo de medida solicitada. Para ele, a contradição compromete a acusação construída contra sua atuação.
Na mesma resposta, Mendonça pediu o arquivamento da representação apresentada por Moraes e sugeriu que sejam apurados possíveis crimes atribuídos ao colega, como abuso de autoridade e denunciação caluniosa. Também criticou o uso de documentos sem autoria identificada, data ou valor probatório para sustentar uma investigação contra um ministro do Supremo.
A manifestação ampliou a divisão interna do STF e fortaleceu a imagem de Mendonça entre seus apoiadores. Em vídeo publicado nas redes sociais, o comentarista Eduardo Batista afirmou que o ministro demonstra princípios cristãos e que seu caráter estaria sendo reconhecido justamente por pessoas que o perseguem. A avaliação é política, mas reflete a repercussão da reação de Mendonça entre setores conservadores.

