MENDONÇA APURA RELATÓRIOS DA PF QUE ENVOLVEM TOFFOLI, FUX E NUNES MARQUES
Documentos da inteligência ampliam a crise no Supremo e colocam a Corregedoria da Polícia Federal sob pressão para esclarecer autoria, finalidade e cadeia de comando
A crise entre a Polícia Federal e o Supremo ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (10). Informações divulgadas pelo Diário 360 apontam que documentos internos produzidos pela inteligência da PF envolvem, além de André Mendonça, os ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. A revelação amplia a suspeita de uso indevido da estrutura de inteligência para reunir informações sobre integrantes da Corte e exige uma explicação oficial sobre quem ordenou os levantamentos e com qual objetivo.
André Mendonça determinou a apuração da produção dos documentos internos da PF. Foto: STFMendonça afirmou ter identificado seis relatórios elaborados entre 3 e 31 de agosto e classificou como sistemático e ilegal o monitoramento dirigido contra ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias. O ministro determinou que a Corregedoria da PF investigue a origem dos documentos e suspenda relatórios destinados a analisar a atividade jurisdicional. Fux e Nunes Marques também procuraram o presidente do STF, Edson Fachin, após suspeitas de que eles e familiares teriam sido alcançados por levantamentos internos. Toffoli, por sua vez, aparece nas análises sobre a condução das investigações do caso Master.
A apuração agora precisa identificar a autoria, a finalidade, os destinatários e a cadeia de comando de cada relatório. Caso fique comprovada a produção clandestina de dossiês sem finalidade policial legítima, os responsáveis poderão responder nas esferas disciplinar, civil e penal. O ponto central é objetivo: a inteligência da Polícia Federal não pode ser convertida em instrumento de pressão sobre ministros do Supremo. A extensão dos documentos a diferentes integrantes da Corte transforma a denúncia de Mendonça em uma crise institucional que alcança toda a cúpula do Judiciário.

