O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar a votação do segundo turno das eleições presidenciais até as 19 horas neste domingo (25). Em entrevista à Band o magistrado aposentado defendeu a autoridade do Tribunal Superior Eleitoral e questionou a interferência do Supremo em decisões sobre a organização das eleições.

A prorrogação foi determinada por Zanin em decisão monocrática após pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que alegou problemas no transporte de eleitores em várias regiões. A medida foi assinada por volta das 17h01 quando muitas seções já haviam encerrado a votação no horário original. Zanin esclareceu depois que a extensão vale apenas para as urnas que ainda estavam abertas e que os votos das seções já fechadas seriam contabilizados normalmente.

Marco Aurélio afirmou que a mudança gera insegurança jurídica porque as regras eleitorais devem ser cumpridas e não alteradas no meio do processo. Segundo ele o eleitor tem a responsabilidade de chegar no horário correto e o Supremo não deve ser o protagonista dessas decisões. O ex-ministro demonstrou preocupação com os possíveis desdobramentos institucionais e declarou que o Brasil poderia ser fechado para balanço.

A decisão de Zanin levou o Tribunal Superior Eleitoral a pausar a totalização dos votos quando apenas uma pequena parte das urnas havia sido apurada. Aliados da campanha de Flávio Bolsonaro criticaram a medida e falaram em intervenção do Judiciário. O deputado Sóstenes Cavalcante publicou o vídeo com a análise de Marco Aurélio destacando a crítica à prorrogação e a defesa das regras estabelecidas.