NOVO PROTOCOLA MANDADO DE SEGURANÇA NO STF QUE PEDE ABERTURA DE CONSELHO DE ÉTICA CONTRA ALCOLUMBRE
Iniciativa de Eduardo Girão e Guilherme Kilter, com fundamentação jurídica de Sebastião Coelho, exige apuração imediata sobre escândalo de R$ 155 milhões revelado pela Revista Veja.
O senador Eduardo Girão e o deputado federal Guilherme Kilter protocolaram um Mandado de Segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) em nome do Partido Novo. A peça jurídica, redigida pelo desembargador aposentado Sebastião Coelho, pede uma determinação judicial para que o Senado abra o Conselho de Ética e analise o afastamento do senador Davi Alcolumbre (União-AP). A ação fundamenta-se nas graves acusações reveladas pela Revista Veja, que apontam o suposto recebimento de R$ 155 milhões por Alcolumbre no escândalo envolvendo o banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
CONTEXTO E HISTÓRICO
O mandado de segurança é uma reação direta ao sepultamento político de pedidos de investigação dentro do Congresso Nacional. O estopim foi a reportagem da Revista Veja detalhando o "escândalo do Master", onde o influente senador Davi Alcolumbre é citado como beneficiário de um repasse milionário ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Diante da inércia da Mesa Diretora do Senado para dar andamento às representações por quebra de decoro parlamentar, a oposição conservadora decidiu acionar a Suprema Corte para assegurar o cumprimento das regras e dos ritos fiscalizadores internos do parlamento.
PERSONAGENS E ENVOLVIDOS
Eduardo Girão: Senador da República (Novo-CE), um dos principais líderes da ala conservadora no Congresso, conhecido pela atuação firme contra a corrupção e o ativismo judicial.

Guilherme Kilter: Vereador de Curitiba pelo Partido Novo, jovem liderança da direita que atua fortemente na fiscalização do uso de recursos públicos e na cobrança por transparência.

Sebastião Coelho: Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), jurista de linha conservadora amplamente respeitado pela direita por sua coragem em criticar abusos de poder e o ativismo judicial.

Davi Alcolumbre: Senador, ex-presidente do Senado e atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), figura central do chamado "Centrão" e aliado do governo Lula.
Daniel Vorcaro: Empresário e banqueiro ligado ao Banco Master, apontado no escândalo como o emissor dos supostos repasses.
IMPACTOS DIRETOS E INDIRETOS
O impacto direto recai sobre a blindagem política de Davi Alcolumbre, que tenta manter o controle da pauta do Senado enquanto pavimenta seu retorno à presidência da Casa. Indiretamente, o processo joga luz sobre o "escândalo do Master", um caso que envolve cifras bilionárias e o mercado financeiro, pressionando as instituições reguladoras e o próprio Judiciário a dar respostas rápidas sobre a movimentação ilícita de capitais e tráfico de influência na cúpula do poder.
REAÇÕES
A iniciativa de Girão, Kilter e Sebastião Coelho foi amplamente celebrada pela militância conservadora e por parlamentares bolsonaristas, que utilizam as redes sociais para pressionar publicamente Alcolumbre. Interlocutores da direita apontam que o caso testa a consistência do STF: se a corte interfere frequentemente no Legislativo, deveria agora garantir a aplicação da ética contra aliados do governo. Por outro lado, o bloco governista e aliados de Alcolumbre no Senado operam nos bastidores para abafar o caso, classificando a ação do Novo como "judicialização da política".
CONSEQUÊNCIAS
Como resultado prático desse Mandado de Segurança, o STF se vê diante de duas saídas fundamentais. A concessão da medida liminar obrigará a Mesa Diretora do Senado a instalar imediatamente o Conselho de Ética, quebrando a paralisia do parlamento e forçando Alcolumbre a se defender formalmente, o que pode culminar em seu afastamento das funções. Caso o STF negue o pedido sob o argumento de que se trata de matéria interna corporis (assunto exclusivo do Senado), ficará escancarada a contradição e o duplo padrão da corte, que costuma interferir em decisões legislativas quando estas contrariam os interesses da esquerda, mas recua quando envolvem aliados de peso do Palácio do Planalto.

